O futuro, segundo Steve Ballmer

Marili Ribeiro

24 de junho de 2009 | 20h51

Alain Issok/Reuters
Steve Ballmer, presidente da Microsoft, fala para publicitários em Cannes

O desafio do futuro é fazer as pessoas pagaram por conteúdo no mundo digital. Porque o mundo, segundo Steve Ballmer, o presidente da Microsoft, será completamente digital nos próximos dez anos. Isso significa que os formatos em pel, como os jornais, vão desaparecer.

A tarefa da propaganda nesse contexto será encontrar o caminho para produzir conteúdo relevante. Haverá uma inversão de papéis no modelo de negócios. “A propaganda não vai patrocinando os conteúdos, mas sim os conteúdos oferecidos terão que ser relevantes para o público pagar por eles”, acredita ele.

Ballmer falou para uma platéia abarrotada de publicitários e executivos de marketing, na tarde de ontem, na 56ª edição do Festival Internacional de Publicidade de Cannes. O sócio de Bill Gates, com seu jeitão simpático e bom de palco, cativou a audiência, como bom vendedor, e aproveitou sua palestra para divulgar o mais novo investimento da sua companhia: o buscador Bing. Lançado há duas semanas nos EUA, o programa de busca detém 8% do mercado.

Para mostrar que seu produto é mais eficiente do que o concorrente Google, nome que evitou pronunciar, Ballmer disse, de forma genérica, que os atuais mecanismos de busca vivem um proceso de evolução. “Afinal, 50% do que se procura na internet não se acha”, disse para acrescentar: “A busca vai ficar mais inteligente. As pessoas não vão mais abrir uma tela é ver um monte de links azuis, sem conseguir chegar aonde querem”. Uma referência ao sistema do Google, o que arrancou risos da platéia.

A Microsoft lançou o Bing em um esforço para combater o domínio do Google no lucrativo setor de buscas na internet e no mercado publicitário do segmento. O Google detém 65% do mercado americano. Um dos principais recursos do Bing é que os usuários podem realizar buscas com apenas um clique, o que torna o serviço mais fácil de usar em aparelhos portáteis.

A configuração do futuro próximo no trao com a informação, pela interpretação de Ballmer, passa necessariamente por uma combinação de digital, social, interativo, integrado, relevante e multitarefa. Cada um terá sua página na internet personalizada, com informações, ferramentas e programas que lhe interessem. As relações sociais e as vendas de produtos e serviços vão passar pelas telas, sejam as de computador, aparelhos móveis ou televisão “interativa”.

A publicidade vai ter que se reinventar nesse ambiente. Afinal, com tudo virando digital, o custo da propaganda vai ficar mais barato. Fora isso, diz ele, os gastos com mídia em relação ao produto interno bruto dos americanos, seu padrão de referência, está estagnado há anos. Esse modelo de venda de anúncios vai ter que mudar.

No mundo desenhado por Ballmer, as pessoas é que vão decidir os conteúdos que vão querer nas suas páginas digitais. Caberá à propaganda criar conteúdo para as marcas que mobilizam essas platéias nessas páginas pessoais.

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