Licitação da Petrobrás sob suspeita

Marili Ribeiro

29 Janeiro 2010 | 20h04

Antes mesmo da sessão em que seria revelada a pontuação das concorrentes a administrar uma verba de propaganda de R$ 250 milhões da Petrobrás, o meio publicitário já conhecia o resultado.

Parte das informações que deveriam ser sigilosas – o nome das vencedoras Heads, Quê e Dentsu -estavam em um site dedicado aos assuntos do setor.

Essa situação colocou sob suspeita a licitação pública para a escolha das agências publicitárias da companhia. Em comunicado, a Petrobrás garantiu que a concorrência seguirá seu curso. Há mais uma fase em disputa, porém sem peso para desclassificar às três vitoriosas.

Foram 18 agências que concorreram. A Heads e Quê já têm a conta da estatal e lutam pela renovação. A novidade neste ano seria a entrada da japonesa Dentsu no processo.

Os nomes das agências eram desconhecidos da comissão de licitação até a abertura dos envelopes na sessão pública. As propostas foram analisadas em envelopes numerados. O fato de o nome das agências ter sido revelado indicaria, para alguns publicitários, um jogo de cartas marcadas.

“Não foi uma questão de vazamento de informação”, diz um dos participantes. “Os envelopes estavam lacrados. Logo, ou o jornalista deu uma sorte enorme ao chutar com tanta precisão, ou as agências que deveriam ganhar a concorrência tinham seus números de identificação conhecidos e obtiveram as melhores notas para que isso acontecesse”.

Diante do vazamento, as agências presentes à sessao pediram à comissão que constasse em ata que o resultado havia sido divulgado antecipadamente pela imprensa.

“Se é verdade que isso aconteceu, é inaceitável, e a Petrobrás deve sim proceder o cancelamento dessa concorrência e fazer um novo processo de licitação”, diz Sergio Amado, presidente do Grupo Ogilvy no Brasil.