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Publicidade lusa, sotaque brasileiro

Marili Ribeiro

16 de novembro de 2009 | 15h25

Com ajuda de profissionais do Brasil, agências portuguesas ganham destaque em festivais internacionais

Leo Burnett
Da esquerda para a direita: Chacho Puebla, Miguel Simões e os brasileiros
Renato Lopes e Erick Rosa. Todos da Leo Burnett Lisboa.

Os publicitários brasileiros começaram a desembarcar em Portugal na década de 90, e semearam a ideia da participação em festivais. A colheita veio sendo feita ao longo dos anos, e atingiu o ápice neste ano. “Nunca a propaganda portuguesa tinha ganho tantos Leões em Cannes”, diz o brasileiro Leandro Alvarez que, há 15 anos trabalha em Portugal e atualmente comanda a agência TBWA Lisboa.

Na disputa do Festival de Cannes deste ano, Portugal conquistou 12 troféus – ou Leões, que são os prêmios mais disputados da publicidade mundial. Pode não parecer muito (o Brasil, por exemplo, conquistou 32), mas é um grande feito, levando-se em conta que, há 20 anos, essa era uma preocupação que praticamente inexistia no país. E boa parte dessa mudança é atribuída à presença dos publicitários brasileiros.

“Os profissionais brasileiros são uma tradição aqui, porque a publicidade brasileira é referência no segmento e, para nós, há ainda a facilidade de falarmos o mesmo idioma”, diz o português Miguel Simões, presidente da Leo Burnett Lisboa, agência que chegou a Portugal há 22 anos e hoje já está entre os cinco escritórios mais criativos da rede Leo Burnett.

A equipe de Simões tem 55 pessoas – quase a metade estrangeiras. Dos que vieram de fora, os brasileiros são maioria. E, entre eles, está a dupla que tem a direção criativa da agência, formada por Renato Lopes e Erick Rosa. Os dois têm parte da responsabilidade pelos 11 Leões conquistados este ano em Cannes (o outro Leão de Portugal é da Fischer Portugal, agência do grupo brasileiro TotalCom), além de terem ganho 39 prêmios no Festival El Ojo Ibero Americano, agora em outubro, e três Clio Awards, nos EUA.

Mesmo reconhecendo o mérito dos brasileiros na área de criação da agência que comanda, Simões faz questão de destacar também o talento do argentino Chacho Puebla. Ele esteve à frente da criação da Leo Burnett Lisboa por dois anos, antes de assumir o atual comandado da rede Leo Burnett Ibérica. Embora os brasileiros não gostem muito, os profissionais argentinos estão descobrindo Portugal. Faz parte da eterna rivalidade entre Brasil-Argentina, que também gravita na publicidade além dos campos de futebol.

Alvarez, da TBWA, chegou em Portugal em 1994 com o propósito de ficar algum tempo e voltar. “Mas fui ficando, ficando e agora tenho dois filhos nascidos aqui e nenhuma intenção de voltar”, diz. Sua permanência está relacionada à relevância que o mercado publicitário ganhou nos últimos anos. “Na década de 90, as agências daqui inscreviam no máximo 20 peças em festivais. Hoje, esse número, em muitos casos, dobrou, o que resulta em maior visibilidade para os trabalhos feitos aqui.”

Essa maior visibilidade acaba atraindo a atenção de mais profissionais. Um exemplo foi o processo de seleção para uma vaga na agência FCB Lisboa. Os diretores da agência pediram ajuda ao publicitário carioca Edson Athayde – que até o ano passado era o vice-presidente da Ogilvy Portugal. Em São Paulo há um mês, Athayde obteve mil respostas para o anúncio, sendo 700 delas de jovens profissionais brasileiros com experiências entre dois e cinco anos de carreira.

Quem já passou por lá não tem queixas. Tomas Correa, 32 anos, redator na Leo Burnett aqui no Brasil, passou quatro anos em Lisboa, até 2007. “No início, os jovens iam pela aventura e porque Portugal era uma porta para o mercado europeu. Hoje, os publicitários vão convidados e pelo destaque que isso pode trazer à carreira.”

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