Rescaldo

Marili Ribeiro

05 de dezembro de 2009 | 18h53

fusao

Fusão, aquisição ou associação. Ultimamente, quando acaba uma coletiva de imprensa para o anúncio do negócio, ninguém sabe qual o melhor termo para comunicar a notícia. Afinal, há respaldo para todos eles, só depende do ângulo que se queira considerar. É uma discussão que está na moda, em particular quando duas companhias poderosas juntam os trapinhos. Afinal, nenhuma quer admitir que ficou por baixo e, com isso, produzir estrago à visibilidade de sua marca.

Fora a indefinição, no caso do ‘xxxx’ entre o Pão de Açucar e as Casas Bahia, o que mais me divertiu foram os comentários dos jornalistas, mais de 50, que se aboletaram no apertado auditório da sede do Pão para ouvir os donos do negócio: Abílio Diniz, pelo Pão, e Michel Klein, pela Bahia.

O ponto intrigante foi ver alguns profissionais parabenizarem a realização do negócio, antes de formular a sua pergunta. Isso cabe?

Depois, os comentários saborosos sobre a voz do povo. Uma jornalista contou que o motorista que a levou disse ao saber da notícia que “nossa os juros do meu crediário vão aumentar”… Pois é, parece que ele entendeu melhor a futura concentração que se desenha para o cenário da ‘xxxx’ entre as duas gigantes do varejo, do que os jornalistas que parabenizaram a operação. Fora os acionistas, os consumidores não têm muito a comemorar…

Ah, é verdade, Diniz andou dizendo que “o consumidor vai sair ganhando”. Seu argumento está no fato de que as duas empresas juntas representam 20% do mercado total de varejo. Afinal, somam mil lojas, num total de 20 mil existentes no País. Portanto, acrescenta ele, “não há motivo para preocupação”. Bacana. O problema é que, em São Paulo, eles detêm quase 80% do mercado de eletroeletrônicos. E, com essa fatia de participação, não há dúvida de que vão determinar o preço a ser pago pela geladeira, fogão e microondas. E, no meu modesto palpite, os ajustes de preço não serão para baixo.

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