Resistência nipônica

Marili Ribeiro

01 de dezembro de 2009 | 20h21

Há luz no fim do túnel para o negócio dos jornais impressos. O segredo pode estar na eficiência da distribuição. Essa é uma conclusão possível para a notícia publicada pelo respeitado diário britânico Financial Times, que divulgou o crescimento do número de assinantes de jornais no Japão. Veja bem, entre os nipônicos, povo onde o uso de celular é praticamente universal e serve para tudo: de, obviamente falar, a fazer compras e acessar a internet em qualquer lugar para ler notícias . Isso torna a notícia surpreendente. O país é referência global nas aplicações de marketing nas chamadas mídias móveis, o que acaba esvaziando as mídias convencionais.

Os jornais do Japão estão entre os maiores do mundo em circulação. Pela informações colhidas pelo Financial Times o impressos não terão “um declínio tão rápido quanto seus congêneres nos Estados Unidos e na Europa, que foram abatidos pela crise”. Muito dessa capacidade de resistência viria do singular sistema de distribuição dos jornais no país. Há 2,6 mil pontos de distribuição, as partir de onde quase 90% dos jornais são entregues na casa dos assinantes por meio de assinaturas mensais. A rapidez e eficiência do sistema faz com que os japoneses continuem a manter seus rituais de leitura matutina.

A circulação dos jornais japoneses, é verdade, está estagnada. Não cresce, mas ainda é um cenário bem melhor do que o vivido pela circulação dos jornais americanos, que diminuiram mais de 10% no último semestre até setembro. Há no Japão 51,5 milhões de exemplares vendidos diariamente. Um feito. Ainda mais se comparado ao caso brasileiro, onde a soma da circulação de todos os principais jornais do País não supera meros 5 milhões de exemplares.

ATUALIZAÇÃO: Números fresquinhos apresentados na reunião global da Associação Mundial dos Jornais (WAN, sigla em inglês), que acontece este ano na Índia, mostra que o mercado mundial de jornais com circulação paga cresceu 1,3%. Em 2008, último dado dísponível, 1,9 bilhão de pessoas, ou 34% da população mundial, liam jornal todos os dias. Quase 60% da circulação mundial de jornais está no Japão, Índia e China. No Japão, 91% da população lê jornal diariamente.

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