Só 500

Marili Ribeiro

13 de dezembro de 2009 | 16h14

Há um mês, o publicitário Alexandre Gama, presidente da agência NegogamaBBH, não só aderiu e fez um anúncio contra a censura no Estadão, que hoje chega a 135 dias, como resolveu ir mais longe e propôs uma lista de adesão para, depois, ser enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Pois é, o Supremo julgou esta semana o pedido de suspensão da penalidade, manteve a censura, e a lista não chegou. Não foi enviada porque não atingiu marca substantiva. Menos de 500 nomes.

Duas conclusões podem sair daí: a causa da censura à imprensa não mobiliza publicitários e profissionais ligados ao segmento, já que foi nesse meio que a campanha foi divulgada. Ou então, o nível de politização e consciência das consequências dessa decisão são desconhecidos pelo segmento. Afinal, não é só o Estadão que perde, mas a democracia.

Gama já havia se surpreendido ao ter a ideia de ligar o anúncio ao hot site www.censuranao.com.br que ele criou, porque descobriu que o termo “censura não” sequer tinha registro na interent.

A ação dos anúncios contra a censura no Estadão envolveu além da NeogamaBBH, mais seis agências: Leo Burnett, Lew’Lara/TBWA, Borghierh/Lowe, Young&Rubicam, Fischer+Fala! e Ogilvy. Todas fizeram peças denunciando a censura à qual o jornal Estadão está submetido pela família Sarney, que impede que sejam divulgados dados sobre investigação que envolve o filho do senador José Sarney. A proposta partiu do jornal especializado em marketing, Propaganda & Marketing , que habitualmente convida profissionais do meio para exercerem em suas páginas a criatividade em temas relativos ao negócio. Desta vez, resolveram tocar em assunto político e polêmico.

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