'Trip' para alemão ler

Marili Ribeiro

24 de maio de 2010 | 12h29

TRIPUma mistura de leveza e humor para levar a vida, sem, entretanto, deixar de ser sério – bem ao contrário da famosa frase ‘o Brasil não é um País sério’ do presidente francês Charles de Gaulle – está abrindo as portas do mercado editorial europeu para os títulos das revistas nacionais. Um movimento que, até aqui, tinha sido praticamente de mão única para os empresários estrangeiros. Ou seja, os títulos internacionais é que sempre dominaram as bancas de revistas no Brasil. A revista masculina Trip inverte a mão e estréia em setembro uma versão em alemão.

 “O estilo brasileiro está no radar do mundo”, diz Paulo Lima, sócio-fundador e editor da Trip Editora. “Após a crise econômica global, o Brasil  emergiu como um lugar onde humor e prazer de viver não comprometem à seriedade do mundo dos negócios.  O País lida bem com a diversidade. Lida melhor do que a média e os outros emergentes. Isso está na moda. Um fenômeno que vem sendo captado por editores que, agora, querem expor o nosso savoir-fare nas páginas das revistas”.

E, como reconhece o próprio Lima, um dos melhores indicadores do jeito brasileiro de levar a viver está na valorização da sensualidade da mulher brasileira. Foi graças a ela, que o editor alemão Thomas Garms chegou à revista Trip. A primeira edição da revsita brasileira em alemã, feita sob licença para circular com 100 mil exemplares entre cidades da Alemanha Áustria, Suíça e Luxemburgo, obedeceu o projeto gráfico e editorial criado por  Paulo Lima há 24 anos. Do material publicado, 45% são versões de matérias produzidas para o leitor brasileiro. O restante são pautas desenvolvidas aqui e adaptadas para a realidade europeia.

Essa onda Brasil no mercado editorial está tão em foco que, em setembro aqui no Brasil, será realizada a Worldwide Magazine Marketplace (WMM), que é uma feira de licenciamentos de marcas de revistas. Conforme informa a assessoria da Associação Nacional de Editoras de Revistas (ANER) são esperados mais de 350 executivos do exterior em busca de novos negócios, a se considerar os últimos eventos realizados em Dubai e Rússia. 

Na ANER não há um mapeamento dos títulos brasileiros que são licenciados no exterior, mas a informação é que são raros. porque são são poucos os editores que conseguem exportar títulos. A língua portuguesa é uma das dificulades. Mas hábitos e costumes, que não são admirados por outros povos, também costumam ser um empeçilho. A atual e animada realidade econômica nacional está ajudando a alterar essa condição.

A experiência mais consistente de título nacional bem sucedido lá fora pertence à Editora Abril, que tem a revista Exame publicada em Angola sob licença. “Trata-se de um licenciamento de marca e conteúdo para um parceiro em troca do pagamento de royalties e no qual a Abril não tem participação acionária direta. É um modelo semelhante ao que a própria Abril adota no Brasil ao licenciar marcas estrangeiras. Neste caso a revista Exame é licenciada ao Grupo Media Nova, empresa de mídia angolana”, informa a assessoria da empresa .

A estrutura da revista Exame angolana é similar à edição brasileira, como informa a assessoria da Editora Abril. “O grupo que edita tem acesso ao conteúdo da edição brasileira e adiciona a ele o conteúdo produzido localmente para a composição da edição, que é mensal e não quinzenal, como acontece no Brasil”. Na mão contrária, os títulos licenciados pela Editora Abril atualmente são mais de 20. Vão desde os anos 50, quando em parceria com a Disney passou a publicar as histórias em quadrinhos, passando pelas publicações femininas como Nova (1973) e Elle (1988), até chegar as mais recentes, como a Runners (2008).

ESTAGNADO

No caso da exportação do modelo Trip de fazer revistas, como conta Paulo Lima, há uma somatória de cenários favoráveis, já que sua editora não tomou a iniciativa de procurar mercados no exterior para expandir negócios. “As publicações para o mercado masculino na Europa estavam estagnadas. O modelo parou nos anos 80, quando se faziam matérias para um homem machão e mais egoísta. O comportamento masculino mudou muito nos últimos anos”.

O editor alemão, que é casado com uma brasileira, viu nas bancas a Trip e procurou Lima para iniciar uma conversa há mais de um ano. Na época, ele era vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Axel Springer International, um importante grupo de comunicação da Alemanha. “Com a crise na Europa as conversas foram suspensas, mas Thomas Garms, que acabou saindo da Axel Springer, resolveu empreender no ramo é decidiu lançar o título por sua conta seguindo a mesma linha da Trip brasileira”, diz Lima. Lançada em 1986, a Trip tem como objetivo buscar o novo, através de histórias que traduzem e refletem o dia a dia de sua comunidade de leitores.

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