Você nunca vai fazer 28!

Marili Ribeiro

03 de agosto de 2011 | 16h58

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Só mesmo a boa ironia para debochar o jornalismo raso usado na cobertura de celebridades e afins. A recente morte da cantora inglesa Amy Winehouse foi um caso clássico desse recurso repleto de baboseira. No caso, o apelo fácil se deu pela tal “maldição dos 27 anos”. Ou seja, houve uma onda de matérias em que se relacionava jovens talentos mortos por overdose e álcool nessa “idade fatídica”.

A turma da agência de propaganda AlmapBBDO aproveitou a deixa e criou, em homenagem à cantora, uma peça publicitária intitulada “Você nunca vai fazer 28”. Produzida para a revista Billboard, construíram um texto hipoteticamente escrito pela “dona Morte”, mas que saiu da pena do publicitário Andre Kassu.

O anúncio, que vai sensibilizar os fãs da tatuada e talentosa cantora, logo de cara ataca: “Oh, agora vocês falam de uma maldição dos 27 anos. Misturam teorias conspiratórias, buscam explicações na numerologia, apelam para a astrologia. Então, eu levaria Jim Morrison e Jimi Hendrix pelo simples fato de que eles nasceram sob o signo de Sagitário? Poupem-me”.

Nessa mesma toada, vai ironizando: “Antes de qualquer coisa, Brian Jones foi um engano. Logo, toda a teoria da maldição dos 27 é baseada em um erro. Um erro primário, confesso. O meu alvo era Keith Richards, mas estava em uma péssima noite…”

Cheio de bossa, o texto da dona Morte pondera sobre as suas escolhas: “Jimi Hendrix veio depois. Mas preste atenção nessa letra: angel came down from heaven yesterday, she stayed with me just long enough to rescue me. Ok, não sou um anjo. Mas entendo a metáfora como quiser e levei ao pé da letra. Achava que era comigo que ele estava falando…”

Com argumentos impiedosos mas divertidos como o que justifica a morte de Janis Joplin porque andava desafinando, ou a de Jim Morrison por ter provocado a dona Morte com a música “The End”, o texto do anúncio concluí sobre a homenageada pela AlmapBBDO: “E agora, vocês lamentam pela Amy. Fazem novas conjecturas com os 27. Uma explicação: ela era simplesmente muito talentosa. Você não escolhe o seu playlist? Eu também. E, de quebra, preservei sua voz em Back to Black. Com o tempo, vocês esquecerão a imagem de uma artista em decadência física e se lembrarão apenas de sua grande voz. Por isso, ela não fez 28”.

Para encerrar, o texto que merece ser lido na íntegra, apela para que se evite a corrida – tão típica na indústria musical – das versões em homenagem aos artistas mortos. Diz o texto: “Eles raramente se sentem homenageados. Digo-lhes com conhecimento”. Divertido!

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