Fórum McKinsey 2021: Evento debate criação de novos negócios; veja os principais pontos

Fórum McKinsey 2021: Evento debate criação de novos negócios; veja os principais pontos

Redação

19 de novembro de 2021 | 09h00

O “Fórum McKinsey 2021 – Construindo Novos Negócios”, realizado nesta sexta-feira, 19, de forma híbrida (parte dos palestrantes e do público no Hotel Unique, em São Paulo, e outra, em discussões remotas), ofereceu um mosaico de visões sobre negócios e transformações digitais. Empresários, líderes e representantes de grandes organizações e startups dividiram experiências sobre desenvolvimento de novos produtos e serviços. Confira os principais pontos do evento:

 



APRESENTAÇÃO DO FÓRUM  MCKINSEY 2021



 

REINALDO FIORINI, sócio sênior da McKinsey, deu as boas-vindas e convidou o público a assistir a uma apresentação de Bob Sternfels, líder global da McKinsey e Ari Libarikian, líder global da prática de criação de negócios.

Reinaldo Fiorini, sócio sênior da McKinsey. Foto: Facebook/Estadão

HEITOR MARTINS, sócio sênior da McKinsey, falou da importância dos novos negócios e mostrou um breve cenário das empresas e startups no Brasil. Além disso, ele elencou os principais desafios para uma organização trilhar o seu caminho para o sucesso: “Existem barreiras importantes para a inovação. A primeira é a organização. São hierárquicas, dificuldade de comunicação, processos desenhados para resiliência e não transformação contínuas, sistemas difíceis de serem transformados.”

Heitor Martins, sócio sênior da McKinsey. Foto: Facebook/Estadão

 



PLENÁRIA – “Céu é o Limite”



 

FREDERICO TRAJANO, COO do Magazine Luiza, abriu as palestras do evento com  “O céu é o limite – de rede local a maior ecossistema do varejo brasileiro”. Ele ressaltou a importância de digitalizar funcionários e clientes em todos os níveis, mostrando de que forma a empresa está incentivando a criação de diálogos locais nas redes.

Frederico Trajano

Frederico Trajano, do Magazine Luiza. Foto: Facebook/Estadão

Para mim, era importante que a turma da velha guarda passasse pela digitalização (…) O mundo digital precisa ter calor humano. Quando eu criei o site, eu quis trazer a personagem virtual com calor humano

Segundo Trajano, o time do Magazine Luiza trabalha para que 6 milhões de varejistas se dirijam ao mundo online: “A gente quer ajudar outras empresas analógicas a se digitalizarem. Criamos uma plataforma para eles. Nossa visão é fazer um marketplace para aquele seller que nunca vendeu online, e lançamos essa tecnologia em plena pandemia. Hoje temos 120 mil empresas vendendo pelo Magalu.”

Magazine Luiza

Magazine Luiza passa por um constante e criativo processo de digitalização. Foto: Facebook/Estadão

Trajano disse que inovação não significa jogar o passado da empresa fora: “Legado, em muitas empresas, é palavrão”. O COO afirma que inovação não é abrir mão do seu time. A tecnologia e a inovação seriam um processo para atingir um fim. Inovar, um meio para gerar valor para o cliente, acionista ou funcionário, no Magazine Luiza, é gerar valor para parceiros.

Talento atrai talento. Começamos o Luiza Labs muito cedo com pessoas incríveis. Isso vai atraindo mais gente e criando um time com muita autonomia para fazer acontecer

Segundo Trajano, tudo o que o Magazine Luiza está fazendo é manter suas lojas e seus parceiros relevantes: “Você não tem mais on e off. É tudo on. O futuro é só on. On único exclusivo ou on híbrido. Queremos habilitar esse poder para outros varejistas com o apoio da nossa tecnologia.”

Sobre aquisição de novas empresas, o empresário chamou atenção para três pontos: boa tecnologia, parte de auditoria fiscal e parte cultural. “Tem que bater o santo. Para integrar, nós temos uma arquitetura para isso. Temos tecnologia para avaliar a integração”, afirma. “Incentivamos todo mundo com metas e vínculos no Magalu, tendo o local e global com peso parecido. Não gosto da palavra integração. Para mim, é conectar.”

 



PLENÁRIA – “Na velocidade da Luz



 

CHRISTIAN GEBARA, presidente da Telefônica/Vivo Brasil, começou sua apresentação ressaltando o potencial do Brasil para negócios digitais:”É um país propenso à conexão, mas com enormes carências.”

Christian Gebara, presidente da Telefônica. Foto: Facebook/Estadão

De acordo com Gebara, a empresa trabalha em alguns pontos para tentar suprir parte dessa carência no Brasil. O primeiro deles é a saúde: “Já estamos lançando o Vida V na Saúde com uma parceria em telemedicina e vamos oferecer a clientes e não clientes com telemedicina, descontos em farmácias.”

O Brasil é muito conectado. Chega a 70% da população. É um dos países número 1 no Facebook e WhatsApp. Isso não ocorre em nenhum outro país desse tamanho.

Ele disse que a Vivo foi mais ambiciosa na área de educação: “A digitalização transforma a educação. O objetivo é criar cursos para ajudar na empregabilidade que podem, através dessa formação, melhorar em ciências de dados, TI, hotelaria, entre outros, integrando uma plataforma de empregabilidade.”

A Vivo é uma empresa com grande responsabilidade ambiental. Tivemos 8 toneladas de equipamento recolhidos em nossas lojas no último ano. Queremos ser carbono zero em 2025.

Gebara citou ainda o foco em serviço  financeiro: “Empréstimos até 50 mil para pessoas que os bancos não conhecem, mas que estão na Vivo. A Vivo sabe mais sobre esse cliente do que outra empresa. Eu sei qual é a capacidade de pagamento desse cliente.”

VIVO

Missão da Vivo é ‘digitalizar para aproximar’. Foto: Faceboook/Estadão

Marketplace, casa inteligente e entretenimento também são pontos de atenção da empresa durante os processos de transformação digital. “Podemos ser uma força que muda o indivíduo, a empresa e a sociedade. Somos uma empresa de capital aberto, mas com o fator de transformar um cenário de tantas carências. A vivo conexão digital para transformar vidas.”

 



MCKINSEY TALKS, especialistas debatem temas relevantes para a agenda de negócios



  • LUCAS MARQUES, COO do Méliuz, falou sobre “Engajamento do consumidor como motor de crescimento – Caso Méliuz“. No estúdio: Jose Carluccio e Fabricio Dore, sócios da McKinsey em São Paulo. Confira a conversa.

 

Wagner Gramigna e Francisco Mesquita

Wagner Gramigna, sócio da McKinsey em SP, e Francisco Mesquita, CEO do Estadão. Foto: Facebook

 



PLENÁRIA – “Vantagens competitivas – alavancando fortalezas” 



 

A sessão contou com a participação de YRAN DIAS, sócio sênior, líder de New Business Building (Leap) da McKinsey na América Latina; FRANCISCO PRISCO (Z-Tech); IMMO PAULO (Shape) e LEONARDO BASTOS (Bayer). Eles falaram de suas experiências com questões de governança, criação e processos de absorção de inovações:

Yran Dias

Yran Dias, sócio sênior, líder de New Business Building (Leap) da McKinsey na América Latina. Foto: Facebook

O primeiro ponto da conversa foi a questão da governança. Francisco Prisco, da Z-Tech, afirmou ser um “sortudo”: “A Ambev está aberta à transformação. Temos ciclos diversos, mas quero destacar que o apoio incondicional da liderança faz toda a diferença”.

Immo Paulo, da Shape, destacou o equilíbrio exigido para acompanhar as mudanças: “Tentamos fazer o necessário para criar um crescimento com a casa em ordem, investimos em um departamento de finanças, e não queremos matar a inovação que queremos ter como startups. Estamos fazendo o mínimo necessário para manter a casa em ordem, e investindo em inovação.”

Plenária 'Vantagens competitivas – alavancando fortalezas'

Plenária ‘Vantagens competitivas – alavancando fortalezas’. Foto: Facebook/Estadão

Leonardo Bastos, da Bayer, por sua vez, afirmou que, em qualquer empresa, certo grau de governança é necessário para que os objetivos fiquem mais claros: “Não adianta eu ter ciclos anuais de orçamento e ter um engessamento quando, na realidade, meu negócio é ditado em semanas ou meses”. Mas ele explicou a dinâmica na empresa: “Eu diria que, como unidade de negócio, estamos tendo oportunidade de influenciar a empresa mãe.”

Eles também ofereceram dicas para quem está começando a empreender. Para Prisco, o fundamental é focar em resolver o problema do cliente final. Immo Paulo destacou a cultura como um dos principais ingredientes do sucesso, citando o modelo adotado pela Nespresso – que só teria dado certo porque foi criada fora da Nestlè.

Bastos afirmou que boas ideias não bastam; o foco deve ser na equipe, já que grandes insights provocam turbulências para suas implementações. “Ter uma boa ideia com uma boa equipe, já que, se qualquer coisa que não der certo, você tem certeza de que poderá contar com a equipe para a correção”, explicou.

 



PLENÁRIA – “América Latina – selecionando e apoiando vencedores”



 

MARTÍN ESCOBARI, co-presidente, managing director e head para a América Latina da General Atlantic, falou sobre a importância do Brasil no cenário global e a necessidade inovar e ousar para crescer.

Segundo ele, tecnologia é fundamental: “Nós como fundo só investimos em tecnologia pura, principalmente nos EUA. A gente se deu conta de que a oportunidade é global e a tecnologia estava mudando todas as culturas. A tecnologia é o novo jeito de acessar o cliente com um maior valor. É fundamental. É o DNA que une os principais inovadores do mundo hoje.”

Ele diz que as grandes empresas de hoje são velhas e bem-sucedidas, e já passaram por muitas crises: “O sucesso trouxe complexidade. Não são pequenos, muitas vezes são multinacionais. O sucesso os obrigou a tentar padronizar. Tem hierarquias rígidas com poder de decisão que atingem muitos níveis. Isso não deixa inovar. Essa é uma grande barreira. Tem que ser muito corajoso para se autodestruir. Quando aparece uma fintech atacando o seu negócio, no começo, ela é pequena. Então você não dá atenção. Mas, geralmente, a fintech atinge seus clientes com o custo menor. Ao demorar a reagir, abre espaço para a fintech crescer e virar seu concorrente.”

O Brasil é um lugar espetacular para a inovação. É um mercado grande, tem um público que aceita tecnologia, é um povo empreendedor e criativo – Martin Escobari, co-presidente, managing director e head para a América Latina da General Atlantic

Para ele, é muito mais difícil para o Brasil ser inovador em pure tech, embora seja avançado em inovação de modelo de negócio. “Não inventaram nada novo, mas juntaram coisas e criaram novos modelos que ninguém tinha pensado em fazer”, afirmou. “O que mata a trajetória é a volatilidade. Tudo o que podemos fazer para diminuir a volatilidade política e economia brasileira ajuda muito. Temos que ter clareza na questão fiscal. Temos uma pressão fiscal gigantesca. Temos que ter ousadia para globalizar. O Brasil é grande o suficiente para ter reis globais.Precisamos de uma dose de autoconfiança para ir para o mundo. ”

 



ENCERRAMENTO



 

Tracy Francis

Tracy Francis, sócia sênior da McKinsey. Foto: Facebook/Estadão

TRACY FRANCIS, sócia sênior da McKinsey, encerrou o Fórum McKinsey 2021 – Criando Novos Negócios” com  cinco ingredientes essenciais para quem quer inovar e apostar em novas tecnologias:

  1.  Escolher um mercado grande. Se tiver sucesso, será um negócio de escala
  2. Ter um produto ou serviço que resolva as dores do cliente de uma forma inovadora
  3. Ter um time diverso. Diversidade como vantagem competitiva
  4. Cultura criativa e inovadora, mas que aproveite o legado que a empresa teve
  5. A importância da tecnologia. Mesmo setores tradicionais têm conseguido usar dados para elevar o negócio e criar um negócio novo

Tracy reforçou que para conseguir sucesso e colocar em prática esses cinco ingredientes, é preciso contar com parceiros que vão ajudar na busca e na construção de ideias inovadoras.

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