McKinsey Talks: Estadão e o Futuro do jornalismo digital

McKinsey Talks: Estadão e o Futuro do jornalismo digital

Redação

19 de novembro de 2021 | 12h21

Em “Estadão e o Futuro do jornalismo digital“, segundo McKinsey TalksFrancisco Mesquita, CEO do Estadão, e Wagner Gramigna, sócio da McKinsey em São Paulo, falam sobre as transformações que marcaram o jornal nos últimos anos.

Wagner Gramigna

Wagner Gramigna, sócio da McKinsey em São Paulo. Foto: Facebook

Gramigna abre desatacando as mudanças e transformações que as empresas têm passado nos últimos anos. A mudança do leitor, consumidor, das audiências, que buscam cada vez mais plataformas digitais. A importância de colocar o cliente no centro e fazer um jornalismo de qualidade.

Francisco Mesquita afirma que a transformação digital não é estar na internet: uma empresa digital é uma empresa de dados, que analisa, tira insights e devolve aos clientes da maneira como eles querem. “Hoje, você entende melhor a jornada, o tipo de informação e formato que ele quer. Antigamente, a gente tinha só o papel, e concentrado no café da manhã. Hoje as pessoas se informam o dia inteiro, do café da manhã até a hora em que vai dormir, e temos de estar presentes.”

A digitalização é disruptiva, é uma grande oportunidade que a gente tem. A gente conhece melhor o cliente. Hoje temos muito mais dados para atender melhor – Francisco Mesquita, CEO do Estadão

“O jornalista sempre trabalhou por instinto e bom senso por falta de informação. Na hora em que você entrega para o jornalista a análise do interesse do usuário, isso gera um conteúdo para ele ter insights. O jornalista está ansioso para trabalhar com esses dados e ir ao encontro ao que o usuário está esperando”, afirma Mesquita. “O uso do Analytics direcionou o conteúdo. Muito do conteúdo que a gente faz é baseado em dados. Na eleição para a prefeitura, começamos a trabalhar meses antes gerando conteúdo que interessasse para a audiência. Quando chegou perto, a audiência subiu porque a gente tinha muito conteúdo que era de interesse. Nossas audiências estouraram porque trabalhamos com muita antecedência. Foi um trabalho de dados com a redação.”

Francisco Mesquita

Francisco Mesquita fala sobre as transformações digitais no Estadão. Foto: Faceboook

Mesquita fala ainda sobre a transformação no papel. “Olhamos para o impresso, que ainda hoje é extremamente relevante. A gente tinha que modernizar essa plataforma. Fizemos um grande trabalho e muitas pesquisas de mercado, testamos formatos diferentes e fizemos essa mudança, que tem poucos dias, com uma repercussão muito positiva”,  diz. “O berliner é um formato intermediário. Ele facilita a leitura numa mesa de café da manhã, no avião, metrô. Mudamos o design também e as seções. Ele é mais moderno no formato, no design e no conteúdo. Dá uma sustentabilidade num produto muito relevante para nós por muitos anos.”

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“Teremos dois tipos de empresa que geram conteúdo. Umas que serão bem nicho, pequenas empresas quase blogs e grandes empresas jornalísticas e poucas empresas que serão nacionais. Uma variedade de conteúdo diferente com uma população maior, mas com o cliente no centro”, explica Mesquita. “É ser uma empresa que gera uma série de conteúdo e que vai concorrer com empresa de nicho, no Brasil, no máximo umas três empresas competindo nesse mercado.”

Investimento e tecnologia

“Você tem um ferramental fundamental pra isso”, ressalta o CEO do Estadão. “O processo de gerar conteúdo você tem que mudar com ferramentas avançadas. Estamos trazendo um novo sistema do Brasil, também um sistema de CRM para acompanhar a jornada do cliente, investimento na parte de dados, a ideia é chegar na inteligência artificial para gerar insights sobre isso. Nossos investimentos são grandes.”

Fake news

De acordo com Mesquita, as pessoas não são bobas. Elas começam a entender que muito do que elas recebem merece desconfiança. “Onde eles vão verificar se o conteúdo é bom? Em empresas que têm credibilidade. Se está no Estadão é verdadeiro, beleza, posso repassar. Se não está no Estadão, vou desconfiar.”

Como os jovens se informam hoje?

“O jovem olha a notícia de maneira mais no impacto do que na profundidade. Conforme ele vai amadurecendo, vai se aprofundando mais na notícia. A plataforma vai mudar também. Provavelmente ele vai começar no WhatsApp com uma notícia de cinco linhas. Daqui um tempo ele vai perceber que precisa saber melhor. Ele vai buscar análise, opinião. A plataforma vai mudar para outras mais profundas”, afirma Francisco Mesquita. “O valor do conteúdo vai começar a crescer para essa audiência. O modelo para o jovem está muito mais ligado à publicidade, no YouTube, por exemplo. Temos uma jornada no modelo de negócio, desde o jovem até uma pessoa mais madura que dá muito valor para o conteúdo.”

Estadão e o desafio da atração e retenção do digital

“Antigamente, a gente concorria com duas ou três empresas. No mundo digital, a gente concorre com todos. Para você ter um desenvolvedor, a gente concorre com a XP, Magalu, por exemplo. Uma mão de obra difícil de atrair e reter. Esse é o maior desafio para todas as empresas. Você tem que ter o lado do pacote que você oferece, mas tem que ter um propósito. Eu estou fazendo alguma coisa que vai repetir de alguma forma. Eu estou trabalhando na empresa e estou contribuindo para isso”, diz Mesquita.

Hoje, quando você termina uma matéria, o trabalho começa. Você analisa a repercussão. Você produz conteúdo de acordo com a reação – Francisco Mesquita, CEO do Estadão

Ele fala sobre o processo de aprendizagem durante transformações digitais: “Quanto mais você está próximo e envolvido na gestão do legado, mais difícil é aprender a gestão de uma empresa em transformação. O processo de transformação nunca vai acabar, e o processo de transformação é sempre o mais doido. No mundo digital, eu estou aprendendo junto, e usamos muito as consultorias para nos ajudar em como gerir o processo. Esse é o desafio. Saber gerir de uma maneira diferente. As receitas que funcionaram no passado não são as mesmas de agora.”

 

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