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A Popularidade do Temer e os Outsiders

As denúncias aumentaram a antipatia da população contra os políticos e contra o próprio presidente Temer e há espaço para populistas e demagogos de toda sorte

mosaicodeeconomia

29 Setembro 2017 | 15h27

*Marcelo Kfoury Muinhos

O Presidente Temer apresenta a menor popularidade de um presidente desde Sarney, sendo apenas 3% dos entrevistados na pesquisa consideram o seu governo bom ou ótimo. É necessário nos perguntarmos porque a avalição dele é pior do que da Dilma, do Collor e do Sarney. Duas explicações óbvias aparecem: a população ainda não conseguiu assimilar a melhora do quadro econômico e também o descrédito de todos os políticos. Nesse artigo tento tecer algumas implicações dessa situação ao analisarmos a eleição de 2018.
Já há um consenso entre os economistas que a recessão acabou e teremos uma recuperação mais forte no próximo ano (ver “Olha o espetáculo do crescimento aí gente”). A expectativa de crescimento de 2018 vem apresentado ajustes semanais segundo o boletim Focus. No último relatório de 22 de setembro, a expectativa de crescimento do PIB em 2018 era 2.3% vindo de uma expectativa de 2,0% em agosto. Eu estou mais otimista é minha expectativa é de crescimento de 2,5% no próximo ano.
Os dados na margem confirmam essa tendência. Hoje mesmo (29 de setembro) foi divulgado o desemprego de agosto que mostrou novamente a trajetória de queda, pelo quinto mês seguido, atingindo 12,6% contra um máximo de 13,7% em março. Importante realçar que geralmente o mercado de trabalho é uma variável se ajusta de maneira defasada ao ciclo de negócios, portanto se até nesse mercado já há reação, isso significa que a recuperação já está madura, mas talvez a percepção da população está ainda mais lenta para captar essa tendência. Na verdade, o índice de confiança do consumidor da FGV já reverteu subindo 1,4% em setembro, mas estava anteriormente em queda por 3 meses consecutivos. O nível de situação atual ainda está mesmo bem abaixo, na faixa dos 70 pontos, do que o Índice das expectativas, que está na casa dos 90.
Portanto, a recuperação é fato, mas ainda não assimilada pela população, que não só ainda não reparou que a situação melhorou, mas também provavelmente, nem dará o crédito dessa melhora ao presidente Temer. As denúncias contra o presidente, amplamente alardeadas pela Rede Globo, aumentaram a antipatia da população contra os políticos e contra o próprio presidente Temer. Não estou querendo dizer que ele é inocente, nem muito menos defendendo a sua permanência, apenas constatando o fato que há um sentimento generalizado contra os políticos, que pode estar sendo fulanizado na figura do presidente Temer.
Esse sentimento difuso de insatisfação contra tudo e contra todos da população brasileira pode gerar um caldo de cultura perigoso para as eleições de 2018. As chances de um candidato “outsider”, que se diz representante do novo e não político, estão crescendo muito. O que me assusta é o risco de aparecer um novo salvador da pátria com tendências antidemocráticas, que não esteja comprometido com a agenda de reformas e nem com a consolidação fiscal. Eu acho muito difícil alguém que seja anti-establishment tenha condições de negociar e aprovar reformas num congresso tão fragmentado como o nosso. Dificilmente, um neófito em politica terá condições de emplacar reformas importantes.
A recuperação econômica com um crescimento acima do consenso, principalmente se for acompanho com uma queda rápida do desemprego e uma facilitação do credito, pode ajudar alguém do bloco de suporte do governo a ser candidato, mas antecipo volatilidade, pois o mercado financeiro ainda não precificou esse cenário e está de certa maneira entusiasmado com a desidratação da imagem do ex-presidente Lula, imaginando que com a recuperação econômica, as coisas vão clarear no campo político. Porém, não acho que políticos que já disputaram várias eleições e com um perfil de bom administrador tenham condições de aplacar a ira popular contra o status-quo. O candidato anti-establishement ainda não entrou em campo e há infelizmente amplo espaço para populistas e demagogos de toda sorte.

*Professor e Coordenador do Centro de Estudos Macro-Brasil da FGV-EESP