Emissões per Capta Importam
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Emissões per Capta Importam

mosaicodeeconomia

10 de fevereiro de 2022 | 17h32

*Daniel Barcelos Vargas

Debates sobre clima tendem a comparar emissões de cada país de forma mais ou menos igual. Estados Unidos, China e Índia são frequentemente apontados como principais ameaças às mudanças climáticas. Juntos, emitem quase 45% de todo carbono-equivalente lançado por ano na atmosfera.

Na descarbonização da economia, contudo, tão ou mais importante que saber quanto cada país emite é saber o peso dessas emissões em relação ao tamanho da população e ao nível do seu desenvolvimento.

As Nações mais desenvolvidas do planeta, em geral, possuem as maiores emissões per capta. Quando suas emissões são ponderadas pelo tamanho das suas populações, ainda hoje, poluem muito mais do que o mundo subdesenvolvido e igual ou mais que os países emergentes. Os australianos, por exemplo, emitiram em média 25 toneladas de CO2e per capta em 2018. Os EUA, quase 18 toneladas. Os japoneses, pouco mais de 9. A Europa, 7,5. Os britânicos, 6,5.

Entre as nações em desenvolvimento, por sua vez, a situação tende a ser o inverso. Países com menor renda per capta emitem, em regra e relativamente, menos gases de efeito estufa. Em 2018, cada indiano emitiu menos que 2,5 toneladas de carbono-equivalente. Os cidadãos da África Subsaariana, menos de quatro. Na América Latina, em média, seis. Na China, pouco mais de oito.

A descarbonização da economia é, em grande medida, um custo a ser suportado por todos os habitantes do planeta. Ponderar as emissões per capta e por nível de renda nacional, neste contexto, é uma forma de distribuir o ônus de forma menos desigual.

Desde o Acordo de Paris, pouco importa quem mais poluiu ontem; todos são obrigados a corrigir o problema agora. O passado sumiu da agenda do clima. A tendência, desde Glasgow, é também apagar o presente; e tratar emissões de 67 milhões de franceses com a mesma régua de 1,4 bilhão de indianos, muitos dos quais ainda na mais absoluta miséria.

*Professor da FGV EESP e da FGV Direito Rio; Coordenador do Observatório da Bioeconomia da FGV.

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