Apesar de Selic ter ficado estável, juro para pessoa física sobe em maio

Em pontos porcentuais, as elevações do juro à pessoa física superam as altas da Selic em 12 meses

nayarasampaio

09 de junho de 2014 | 11h56

Apesar de o Banco Central ter mantido a Selic estável, as taxas de operações de crédito subiram novamente em maio, pela 12ª vez consecutiva, apurou a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). A inadimplência também aumentou em maio.

Segundo o diretor executivo de estudos e pesquisas econômicas da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira, as altas das taxas praticadas no mercado ocorreram devido à expectativa de que o Banco Central elevasse novamente a taxa Selic em maio, o que não ocorreu. Outro fator para a elevação foi a percepção negativa quanto aos índices de inflação e crescimento econômico.

A perspectiva é que, com a esperada estabilidade da Selic nos próximos meses, as taxas de juros das operações de crédito também se mantenham inalteradas, a menos que haja aumento da inadimplência neste período.

Cinco das seis linhas de crédito para pessoa física pesquisadas em maio subiram: juros do comércio, cheque especial, CDC bancos-financiamentos de automóveis, empréstimo pessoal-bancos e empréstimo pessoal-financeiras. A taxa de cartão de crédito se manteve estável. Na média, a taxa de juros subiu de 5,96% ao mês em abril para 5,98% em maio, a maior registrada deste agosto de 2012 (6,02%).

Em pontos porcentuais, as elevações superam as recentes altas da Selic. De abril do ano passado a abril deste ano, a taxa Selic passou de 7,25% para 11% ao ano, alta de 3,75 pontos porcentuais. No mesmo período, a taxa de juros média para pessoa física subiu de 87,97% ao ano para 100,76%, aumento de 12,79 pontos porcentuais, de acordo com a Anefac. Na análise de março de 2013 a maio de 2014, as operações de crédito para pessoa jurídica subiram 5,96 pontos porcentuais, ao passar de 43,58% para 49,54% ao ano.

Veículos. Financiar carros se mostrou o crédito mais barato. A taxa cobrada foi a mais baixa entre os bens e produtos pesquisados. Na outa ponta, na compra a prazo de artigos de academia, de casa e itens de decoração se paga o maior juro, acima de 6% [veja infográfico abaixo].

Por Beatriz Bulla, da Agência Estado

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