Decepcionados com rentabilidade, investidores saem de fundos de renda fixa e referenciado DI

Yolanda Fordelone

17 de abril de 2013 | 10h58

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Categorias Renda Fixa e DI lideram o ranking de captação líquida negativa em 12 meses.

Fonte: Morgue File

A baixa rentabilidade dos fundos conservadores (renda fixa e referenciado DI) já se reflete na captação líquida dessas categorias. Decepcionados com o retorno obtido nessas aplicações, os investidores estão saindo desses fundos. As duas categorias foram as que mais perderam recursos na captação líquida (aplicações menos saques) em 12 meses, até 11 de abril, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Veja tabela abaixo.

Os multimercados que apostam em investimentos de juros e moedas, igualmente, perderam recursos. Os fundos foram a terceira categoria com maiores captações negativas.  Em um ano, o juro básico da economia (Selic), que baliza as aplicações de renda fixa e DI, saíram de um patamar de 9% ao ano para 7,25% ao ano.

Leia mais: Mesmo se juro subir, fundos ainda perderão da poupança

“Os fundos estão rendendo muito mal, mas quando olhamos o mercado como um todo não há muitas alternativas. A saída de recursos dos mais conservadores pode ter ido para a poupança”, avalia o administrador de carteira, Fabio Colombo. A poupança encerrou março em seu 13º mês de captação positiva.

A categoria que mais captou em 12 meses foi a de Renda Fixa Índices, que compõem a carteira com títulos atrelados à inflação. “A rentabilidade estava boa e a pessoa física foi atrás, mas o ciclo já se encerrou”. Em 30 dias, até 11 de abril, por exemplo, a categoria tem rentabilidade de -0,5%.

Outra categoria que se descola em 12 meses é a de multimercados multiestrategia, que além de câmbio e juros, pode investir em ações e mercado futuro. “Pode sinalizar uma busca do investidor por maior rentabilidade, assumindo maior risco”, diz Colombo.

Para onde correr?

A expectativa de alta da Selic na reunião do Copom desta quarta-feira ou na de maio reacende o interesse dos investidores nas categorias conservadoras, pois a rentabilidade tende a melhorar. Mas, segundo cálculos do administrador de carteiras, não será nada expressivo. “Se o juro subir 2% nesse ano, será como 0,15% de rentabilidade a mais por mês. Vai diminuir a perda real que os investimentos estão tendo para a inflação”, afirma.

A alternativa seria aplicar diretamente em títulos do Tesouro Direto e bancários (CDB, LCI, entre outros) ou então, abrir mão da segurança, e arriscar mais em ações. “É um bom momento porque o patamar de preços está baixo, mas nem todos tem apetite ao risco. A saída seria pesquisar e optar por fundos com taxas de administração menores e alongar o prazo, para pagar o menor Imposto de Renda”, sugere Colombo.

 

Maiores captações líquidas negativas em 12 meses:

Referenciado DI-27.580,29
Renda Fixa-22.147,95
Multimercados Juros e Moedas-12.984,56
Multimercados Capital Protegido-2025,79
Ações IBrX Ativo-1.362,83
Ações Setoriais-843,47
Multimercado Balanceados-218,32
Cambial-216,01
Multimercados Trading-128,31
Ações IBOVESPA Indexado-54,44

 

Maiores captações líquidas positivas em 12 meses:

Renda Fixa Índices36.286,25
Curto Prazo21.721,02
Multimercados Multiestrategia21.476,36
Ações Livre10.282,48
Multimercados Macro4.956,79
Ações Ibovespa Ativo2.457,24
Multimercados Estratégia Especifica2.119,42
Renda Fixa Crédito Livre2.040,79
Ações Dividendos1.887,84
Multimercado Long And Short – Direcional1.022,55
Ações Small Caps916,84
Ações IBrX Indexado542,49
Ações Sustentabilidade/Governança299,27
Multimercados Multigestor224,95
Multimercado Long And Short – Neutro29,42
Investimento no Exterior28,60

 

Fonte: Anbima

 

 

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