Dívida de R$ 2 mil pode se transformar em R$ 5.463 em dois anos no crédito pessoal

Com juro que supera 200% ao ano, dívida pode quase triplicar em 24 meses; ao olhar somente para o tamanho da parcela, armadilha não é percebida

Yolanda Fordelone

31 de julho de 2014 | 13h40

Com taxa de juros que por vezes ultrapassa 200% ao ano, o crédito pessoal se não bem administrado pode se tornar uma grande armadilha para entrar em uma dívida impagável. Segundo cálculos da Associação Proteste, um crédito pessoal de R$ 2 mil, se financiado em 24 meses, pode se transformar em até R$ 5.463 (24 parcelas de R$ 227).

O perigo revise no fato de que no crédito pessoal o consumidor não precisa informar em que utilizará o dinheiro, diferentemente de um financiamento imobiliário ou de automóveis, por exemplo. O crédito é facilitado (basta solicitá-lo em um caixa eletrônico), mas a educação financeira quanto ao seu uso ainda é precária.

Segundo a Proteste, porém, apesar da facilidade, o crédito só deve ser usado em momentos de aperto. Olhar somente para o valor da parcela e não para o total a ser pago é outro erro. No caso do crédito mais caro da pesquisa, do Panamericano, no fim o consumidor irá pagar uma quantia quase três vezes maior do que a original (R$ 2 mil).

Juros maiores. Apesar nas últimos reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa básica de juros (Selic) – que baliza o juro cobrado no crédito – ter sido mantida estável em 11% ao ano, no mercado o que se viu foi um aumento do juro nas maiorias das instituições pesquisadas. O juro cobrado no crédito pessoal financiado em 12 meses subiu em sete instituições.

O caso mais extremo se deu no Itaú, em que a taxa subiu de 50,05% no último estudo para 135,15% atualmente. A maior taxa é cobrada pelo Ibi Cred (549,95% ao ano). Financeiras, aliás, ficaram na liderança dos maiores juros. Todas as pesquisadas (CAcique, IbiCheque, BV Financeira e IBI Cred) têm taxa acima de 200% ao ano.

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