Especialista responde 10 perguntas sobre investimentos

Yolanda Fordelone

11 de abril de 2013 | 14h02

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 Foto: Stock Xchng

O investimento em ações, apesar de acessível, gera muitas dúvidas entre os brasileiros. A assessoria de investimentos HPN Invest preparou uma lista de 10 perguntas comuns sobre o mercado de ações e outras aplicações, respondidas pelo economista-chefe da casa, Edgar de Sá. Confira:

1) É mais difícil um banco de quebrar do que uma corretora?

Qualquer instituição financeira, seja banco ou corretora, é regulada, fiscalizada e autorizada pelos mesmos órgãos: Banco Central, CVM e, no caso das corretoras, BSM (BM&FBovespa). Logo, o que vai determinar se uma corretora ou banco é saudável ou não, é sua administração. É muito mais fácil um banco ter problemas de insolvência do que uma corretora, uma vez que as operações que normalmente “quebram” uma instituição são operações de crédito (empréstimos e financiamentos de maneira geral), e corretoras, por regulamentação, não podem tomar ou ceder crédito aos seus clientes. E assim como um banco, no caso de insolvência de uma corretora, existem mecanismos de proteção e ressarcimento ao investidor.

2) Há riscos de o investidor perder dinheiro?

O investidor precisa ter em mente que ao investir numa corretora ele só corre risco de perder dinheiro no caso de insolvência, se seus recursos não estiverem investidos em algum produto, ou seja, se o dinheiro estiver “parado na conta”. Pois na “quebra” de uma corretora, se os recursos do cliente estiverem investidos em ações, bastará ele informar à CBLC uma nova instituição onde ele administrará seus investimentos.

No caso de títulos privados (CDB, LCI, entre outros) o risco não está na corretora e sim na instituição que emitiu o título. Por exemplo, um CDB emitido pelo banco A através da corretora C. Se a corretora C “quebrar” o investidor procurará o banco A e deverá indicar uma nova instituição para administrar seus investimentos. Já no caso do banco A “quebrar”, o FGC restituirá o investidor até R$ 70 mil reais. No caso dos recursos do cliente estar aplicado em títulos públicos, o risco do cliente é o emissor do título, neste caso o governo federal, dar um calote e não pagar. Se a corretora quebrar, o investidor acessará o sistema do Tesouro Direto e indicará uma nova instituição para gerir seus títulos.

3) A corretora ganha dinheiro em cima de quem ou do que?

O investidor ganha em cima da rentabilidade do produto que adquiriu. Exemplo: em ações, sobre a valorização da ação: o investidor comprou papel da empresa ABC por R$ 1 e vendeu por R$ 1,30. O ganho bruto de 30% é o lucro. Se o dinheiro estiver com um agente autônomo, este ganhará um porcentual por operação de compra e venda. Se o próprio cliente movimentar a conta, ele pagará apenas uma taxa fixa por operação.

4) Qual a garantia que o cliente tem de que seu patrimônio não será perdido?

Corretoras e bancos oferecem a mesma garantia, ou seja, nenhuma. O investidor precisa ficar atento ao histórico, conhecer a empresa e ou pessoas que cuida dos seus investimentos, pesquisar junto ao BACEN, CVM e BM&FBovespa se aquela instituição está autorizada a operar/vender determinado produto, pesquisar a rentabilidade passada dos produtos da instituição que, não garantirão um retorno futuro, mas certamente indicarão se a gestão dos recursos dos clientes é bem feita, acessar o Home Broker/Internet Banking para acompanhar as operações, manter contato com o gerente/assessor responsável, verificar se há registro na CVM, ler atentamente o regulamento e/ou o prospecto, informar-se sobre os custos incidentes, conhecer a estratégia do administrador e os riscos assumidos e pesquisar a reputação das instituições envolvidas, entre outras precauções.

5) É possível resgatar do dinheiro investido a qualquer momento?

Sim. No entanto, cada tipo de investimento tem uma regra que deve ser observada pelo investidor. Em alguns casos o investidor será tarifado por solicitar o resgate antecipado, em outros a rentabilidade poder ser inferior aos custos envolvidos na operação. Também há casos em que o imposto onerará a rentabilidade. É preciso ver se vale a pena.

6) Qual a média de rentabilidade dos investimentos?

Dependerá do tipo de aplicação. É sempre bom lembrar que a rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. O investidor também deve ficar atento a ofertas “tentadoras”, promessas de rentabilidade muito acima da média do mercado podem configurar fraude.

7) Além de ações, posso investir em outros ativos por meio de uma corretora?

Assim como os bancos, as corretoras têm vários tipos de investimentos, tais como CDB, LCI, CRI, CRA, debêntures, Tesouro Direto, ações, fundos, previdência privada, entre outros. A corretoras só não possuem poupança.

8) Como deduzir o Imposto de Renda para não cair na malha fina?

Depende muito de onde o cliente aplica. A corretora não faz o imposto do cliente, mas concede todo material e auxílio necessário para que ele faça a declaração corretamente.

É importante o investidor verificar se houve lucro ou prejuízo em seus investimentos. Caso haja prejuízo, o investidor poderá aproveitar o valor para que, nos meses seguintes em que houver lucro, descontar o valor perdido. Ele poderá, também, descontar os valores pagos a título de taxas de corretagem, custódia e emolumentos. Desta forma, o IR devido incidirá sobre um montante mais baixo.

9) Existe alguma aplicação isenta de declaração de IR?

Sempre é preciso declarar independentemente de recolher IR. Mas segue alguns tipos de investimentos que não incidem IR para pessoa física: LCI- As Letras de Crédito Imobiliário; Fundos imobiliários (dividendos); Poupança; vendas de até R$ 20 mil mensal em ações; debêntures de infraestrutura.

10) Existe alguma aplicação onde o cliente pode investir e todo mês ele pode retirar o rendimento e deixar o capital investido, como uma espécie de salário extra?

Existe a possibilidade. Mas dependerá do tipo de investimento e perfil do cliente.

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