Fundos recorrem aos robôs para ter precisão nas operações; gestor responde 10 perguntas sobre a estratégia

Yolanda Fordelone

28 de agosto de 2013 | 13h28

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Robôs conseguem enviar ordens à bolsa em fração de segundos. Foto: Morgue File

No mundo dos investimentos, a tecnologia tem ganhado cada vez mais espaço, substituindo ou complementando o trabalho do ser humano. Os robôs (ou algoritmos), que já são responsáveis por mais de 50% do volume financeiro movimentado nos mercados dos EUA, estão se difundindo entre os fundos de investimento no Brasil. Por meio deles, estratégias de compra e venda de ações e outros ativos são pré-programadas. Quando ocorre uma situação ideal de mercado o robô dispara aquela operação automaticamente.

A estratégia tem garantido bons retornos em alguns casos.  No caso da BBT Asset, o fundo BBT Fia rendeu 21% em 2012, sendo que 40% desse resultado é atribuído a operações feitas por robôs, segundo o gestor da casa, Raphael Juan. Ele conta que neste ano a intenção é ampliar em 300 vezes o volume negociado por robôs. Abaixo, Juan responde 10 perguntas comuns sobre robôs nas aplicações financeiras:

1. Como o investidor descobre se o fundo que ele quer investir tem este tipo de operação?

A CVM não obriga os fundos a declararem se possuem operações com robôs. Muitos fundos multimercados utilizam robôs nas suas operações, mas não declaram. O motivo de não declararem pode ser para evitar gerar insegurança nos cotistas, pois estes tendem a ser conservadores em seus investimentos. Sugerimos que o investidor busca estas informações na apresentação do fundo ou diretamente com seu gestor.

2. Se o investidor perguntar, o fundo pode se negar a informar se usa robôs ou não?

Todo gestor de fundo deve responder com clareza aos questionamentos de seus atuais e potenciais cotistas.

3. O investidor institucional prefere fundos com robôs?

Existem vários tipos de fundos com robôs, tais como especulativos, de arbitragem, operações estruturadas, etc. Tanto o investidor estrangeiro como o institucional desejam entender que tipo de robô existe dentro do fundo. Se o fundo for capaz de explicar a metodologia e o investidor for de acordo com a estratégia que está sendo usada, não haverá problemas para o investimento. O uso desta tecnologia poderá, inclusive, atrair novos investidores.

4. Os cotistas normalmente conhecem as estratégias operacionais que os robôs utilizam?

Alguns fundos utilizam sistemas BlackBox, que adotam estratégias não reveladas ao investidor. Nestes casos o aporte é mais difícil por parte dos investidores estrangeiro e institucional.

5. Fundos com robôs tendem a ter maior rentabilidade?

Não há nenhum estudo com relação a este aspecto, até porque existem diversos tipos de fundos a serem comparados. Mas observamos que fundos com estratégicas quânticas fundamentais tendem a apresentar rentabilidades superiores aos demais.

6. Os robôs executam operações quando detectam parâmetros favoráveis de mercado pré-definidos pelo gestor. Mesmo assim, é possível que a operação gere prejuízo?

Sim, é possível. Um algoritmo concorrente pode chegar antes e fechar o negócio e deixar um book de ofertas desfavorável. O robô, portanto, pode chegar em segundo lugar e fechar uma das pontas e não conseguir desfazer a outra, deixando a operação direcional. O programador do algoritmo pode tratar essas situações e mitigar o risco. Isto varia muita da estratégia adotada por cada fundo, ou seja, é uma briga pela melhor tecnologia.

7. Qual o porcentual do capital do fundo BBT Fia alocado em operações com robôs?

O percentual do patrimônio do fundo aplicado nas operações com robôs é pequeno. Atualmente utilizamos menos que 0,5% do patrimônio nas operações abertas. Quando fecha o pregão todas as operações com robôs são liquidadas e ficamos expostos em 0% nesta categoria de operação. A baixa exposição faz com que o risco em cada operação seja pequeno. O giro financeiro diário do fundo, nas operações com robôs, é da ordem de 15% do patrimônio do fundo.

8. Faz diferença se o servidor de envio de ordens de negociação está na corretora, na Bolsa ou numa empresa de tecnologia?

O que mais importa é a tecnologia do software, uma boa rede e um bom serviço de hosting. Esta são as variáveis que mais influenciam. Um exemplo disso são sistemas de OMS que fazem todo o gerenciamento das ordens de negociação. Toda vez que uma ordem é enviada a Bolsa, o OMS checa limites nos sistemas de Backoffice da corretora, podendo causar demora no envio da ordem para a Bolsa.

9. O uso desta tecnologia deve aumentar nos próximos anos?

Sim, a adoção de robôs em operações de Bolsa vem crescendo de forma consistente no mercado internacional há vários anos. Hoje em dia podemos observar este mesmo movimento no Brasil. 50% do volume das Bolsa americanas são feitas via algoritmos (Robôs).

10. Momentos de alta volatilidade favorecem as operações com algoritmos?

Sim, os mercados voláteis são ambientes favoráveis para a intervenção da máquina contra a capacidade de operação manual do ser humano. É a diferença entre atirar com um arco-flecha e atirar com uma metralhadora.

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