Para equilibrar contas, classe C está disposta a reduzir consumo de água e energia

Para equilibrar contas, classe C está disposta a reduzir consumo de água e energia

Segundo pesquisa da Boa Vista, 84% dos consumidores deste grupo diminuiriam o consumo destes serviços para conseguir reduzir os gastos no fim do mês

Yolanda Fordelone

11 Fevereiro 2015 | 09h24

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Foto: Evelson de Freitas/Estadão

Como alternativa para cortar gastos e chegar no fim do mês no azul, os consumidores da classe C estão dispostos a reduzir o consumo de água e energia elétrica em suas casas. Quando se trata de alimentação, no entanto, o controle de gastos é mais difícil: a maioria (58%) ainda não concentra a despesa em uma compra mensal. Os dados são da pesquisa da Boa Vista SCPC em parceria com o programa Finanças Práticas, da Visa do Brasil.

No levantamento, 84% dos entrevistados disseram que diminuiriam o consumo de energia e água em favor de uma melhor situação das contas no final do mês. “O orçamento das famílias está bastante apertado há algum tempo por conta de os salários não terem subido tanto nos últimos anos e a inflação, pelo contrário, ter avançado, diminuindo o poder de compra da população. O que percebemos é que a classe C se mostra disposta a fazer economia diante deste cenário”, diz o diretor de marketing e sustentabilidade da Boa Vista SCPC, Fernando Cosenza.

A pesquisa ouviu 1 mil consumidores da classe C classificados segundo o critério FGV 2012, que considera pessoas com rendimento familiar mensal entre R$ 2.030 e R$ 8.700. A estimativa é que atualmente a maior parte da população (cerca de 100 milhões) se enquadrem na classe média ou classe C, segundo o especialista.

Não à toa a classe C está de olho nas despesas de água e energia. Com a seca e a crise de abastecimento, os preços têm subido. Já em março haverá impacto no bolso: a conta de luz deve subir em média R$ 9.  “As pessoas estão conscientes da crise da água, mas estão pensando sobretudo na economia. Elas estão procurando cortar despesas e ao mesmo tempo há diversos comerciais e reportagens falando da crise hídrica. Juntou a fome com a vontade de comer”, afirma Cosenza.

Na divisão por regiões, o Norte se mostrou mais disposto a reduzir este tipo de gasto (87% dos entrevistados responderam afirmativamente). No Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, a porcentagem foi de 86%. A proporção é menor na região Sul (75%).

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Supermercados. No caso das compras em supermercados, pelo contrário, não é vista esta disposição a reduzir gastos. “Nas últimas duas décadas houve uma sofisticação do consumo da classe média. Eles passaram a andar de avião, consumir iogurte, ter TV a cabo. Eles conquistaram esses serviços e produtos e não querem abrir mão, retroagir para um alimento de menor qualidade”, analisa o diretor da Boa Vista. A alimentação é o item com que a classe C mais gasta na semana, com 62% das menções.

Do total de pessoas ouvidas, 58% disseram fazer compras esporádicas em supermercados durante a semana, enquanto 42% realizam uma compra por mês. O hábito de não concentrar as compras, segundo Cosenza, é prejudicial ao bolso. Ele explica que fazer compras mensais exige planejamento: uma lista de produtos e pesquisa de preços. Isso acaba se traduzindo em economia no bolso, já que diminui a ocorrência de compras desnecessárias no mercado.

Na ponta do lápis. Apesar das despesas semanais no supermercado, a classe C garante que, de uma maneira geral, consegue controlar os gastos. A pesquisa calcula que 66% desses consumidores dizem ter o controle de quanto gastam e que em 85% dos casos esses gastos somam menos da metade dos rendimentos mensais.