Pesquisa mostra que 45% dos eletrônicos e eletrodomésticos dão defeito em até 2 anos

Pesquisa mostra que 45% dos eletrônicos e eletrodomésticos dão defeito em até 2 anos

Associação Proteste lançou petição para estender o prazo de garantia para 2 anos; a garantia legal dos produtos na maior parte do Reino Unido é de seis anos

Yolanda Fordelone

28 de agosto de 2014 | 14h45

Para 89% dos consumidores, produtos tinham vida útil maior no passado. Foto: Free Images

A associação de defesa do consumidor Proteste lançou uma campanha para que produtos tenham prazo de garantia de dois anos. E não à toa. Entre os eletrônicos e eletrodomésticos comprados no Brasil, 45% dão defeito antes de completarem dois anos de uso. Os campeões são as câmeras fotográficas, os computadores e os tablets. Quando quebram, 74% dos consumidores preferem substituí-los por um novo, sem recorrer às assistências técnicas, devido ao alto custo do serviço.

Diante dos resultados da pesquisa, a Proteste lançou a campanha nas redes sociais para ampliar o prazo da garantia legal, que hoje é de apenas três meses, para dois anos. Na petição para mudar a lei, é justificado que se a garantia fosse mais longa, os fabricantes tenderiam a investir em produtos mais duradouros. A garantia legal dos produtos na maior parte do Reino Unido é de seis anos e no restante da Europa, de dois anos.

Além da ampliação do prazo de garantia, a associação pede que a vida útil do produto passe a ser informada no manual, atendendo ao direito à informação, garantido pelo Código de Defesa do Consumidor.

Produtos novos. Segundo a associação, os consumidores ficariam mais tempo com os equipamentos se não tivessem custos para reparo. Para a maioria dos 800 entrevistados (62%), o defeito se verificou pouco depois de a garantia terminar. A pesquisa apontou que mesmo quem procurou por uma assistência técnica antes de comprar outro produto não optou pelo conserto (81%), pois o preço cobrado pelo serviço era elevado.

Para 60% dos entrevistados que compraram outro produto e decidiram manter aquele que deu defeito em casa, a razão para tal é a esperança de um dia tê-lo consertado. Porém, nem sempre isto é possível, pois eles não encontram peças de reposição no mercado. De acordo com a lei, os fabricantes deveriam oferecer peças durante toda a vida útil dos aparelhos. Itens menores, como secadores de cabelo e ventiladores, são os que mais ficam sem conserto nas casas dos consumidores após serem substituídos.

Os campeões são as câmeras fotográficas, os computadores e os tablets. Foto: Free Images

O hábito aumenta a quantidade de lixo tecnológico acumulado nas casas e jogado no meio ambiente. Menos de 3% dos participantes afirmaram terem devolvido à loja os produtos substituídos por um novo. E outros 3% entregaram em um ponto de coleta indicado pelo fabricante.

Pressionados pelos novos lançamentos que a indústria faz num intervalo de tempo cada vez menor, a maioria dos entrevistados (89%) julga que no passado os produtos apresentavam vida útil maior. A pesquisa apontou que televisão e celular foram os produtos mais comprados no último ano.

Metodologia. A pesquisa foi realizada pela Proteste entre 13 de junho a 18 de julho último, em todo o país, e envolveu domicílios em que pelo menos um produto eletrônico ou eletrodoméstico tivesse sido comprado nos últimos doze meses, dentre eles: ar-condicionado, câmera fotográfica, celular, computador, ferro de passar, fogão, micro-ondas, geladeira, impressora, lavadora, liquidificador, secador de cabelo, tablet, televisão e ventilador.

Os respondentes pertencem às classes A, B e C, sendo que a maioria deles (80%) tem mais de 30 anos de idade. Grande parte dos entrevistados (70%) é do sexo feminino. Foram entrevistadas apenas as pessoas que afirmaram serem os tomadores de decisão de compra da casa.