Preço dos serviços bancários chega a subir 10 vezes acima da inflação

Preço dos serviços bancários chega a subir 10 vezes acima da inflação

Segundo pesquisa do Idec, em 12 meses tarifas bancárias dos principais bancos brasileiros subiram acima do IPCA; aumento foi maior em cestas de clientes antigos

Yolanda Fordelone

20 Maio 2015 | 15h18

Os preços estão mais altos a começar pelas tarifas bancárias. Em 12 meses, os bancos reajustaram os preços das tarifas bancárias bem acima da inflação. Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), o aumento chega a 136% entre serviços avulsos e 75,2% entre os pacotes. Os serviços incluem extratos, saques, transferências, folhas de cheques, entre outros.

A pesquisa foi feita entre março de 2014 e fevereiro de 2015, período no qual a inflação foi de 7,7%. Foram avaliados 75 pacotes de serviços de seis bancos: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC, Itaú e Santander.

Foto: Milton Michida/Estadão

Foto: Milton Michida/Estadão

Alguns casos foram destacados, como o do Bradesco, que elevou o preço de um dos pacotes em 75,2% – quase dez vezes acima da inflação. Segundo o Instituto, os reajustes foram mais comuns entre os pacotes de custo intermediário, os mais utilizados pela população. Entre as tarifas avulsas, os aumentos foram pontuais, mas significativos. O HSBC, por exemplo, elevou a anuidade de um cartão de crédito em 136%.

Reajustar as tarifas muito acima da inflação foi considerada pelo Idec uma prática abusiva. Os preços dos serviços bancários deveriam ser controlados pelo Banco Central. A instituição, porém, afirma que cada banco estabelece o reajuste de acordo com a estratégia operacional e de mercado e que os casos de abusos de preço são competência de órgãos de defesa do consumidor, como os Procons.

Reajuste maior para quem já é cliente

A pesquisa também mostra que os pacotes que não são mais ofertados pelos bancos para novos clientes, mas que continuam valendo para os correntistas “antigos”, estão entre os que sofreram os maiores aumentos. Os reajustes mais consideráveis nesse grupo foram os do Banco do Brasil, chegando a 56,8% para o pacote Modalidade 50, que saltou de R$ 31,35 para R$ 49,15. A avaliação do Banco do Brasil levou em consideração os pacotes que eram comercializados até 2013, ano em que a instituição deixou de ofertar 26 pacotes.

O Itaú alterou o seu portfólio para novos clientes e aplicou altos reajustes aos pacotes contratados pelos antigos correntistas: a MaxiConta Itaú Eletrônica subiu 25,2%, passando de R$ 11,10 para R$ 13,90.

Banco

Pacote

Antes*

Depois*

Variação

Bradesco Cesta Exclusive Fácil

R$ 27,40

R$ 48,00

75,2%

Banco do Brasil Modalidade 50

R$ 31,50

R$ 49,15

56,8%

Itaú MaxiConta Itaú Eletrônica

R$ 11,10

R$ 13,90

25,2%

Santander Simples Mais Minutos

R$ 22,00

R$ 25,90

17,7%

Caixa Fácil Caixa

R$ 12,80

R$ 14,11

10,2%

HSBC Super Econômico

R$ 26,80

R$ 29,00

8,2%

 

Pesquisa de preços

Segundo o Idec, o pagamento de contas na função crédito, uma tarifa avulsa, custa R$ 4 no Banco do Brasil e R$ 19,90 no Santander – variação de 397,5%. A diferença de preço reforça a ideia de pesquisar antes de aderir qualquer pacote. Uma ferramenta útil neste sentido é o Star, da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que permite comparar o valor das tarifas avulsas cobradas pelas principais instituições financeiras. Para consultá-la, acesse.

 

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