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Ações do setor bancário podem se beneficiar com alta do juro

Yolanda Fordelone

22 de abril de 2013 | 11h40

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Para analistas, ainda é incerto se o governo deixará as margens dos bancos subir muito, mas alguma melhoria no spread deve haver, o que se traduzirá na valorização da ação. Foto: Stock Xchng

O começo do ciclo de alta do juro básico da economia (Selic) na semana passada, quando o Copom subiu a taxa para 7,5% ao ano, deve trazer o setor bancário para o radar dos investidores de ações. Segundo alguns analistas, a alta do juro pode dar um alívio ao spread bancário que se achatou muito em um ano devido à própria queda da Selic e da pressão do governo pela redução de taxas e tarifas bancárias.

“A ideia pode parecer um contrassenso, porque alta do juro faz o crédito diminuir. Mas o que temos que considerar é que a queda do juro em 2012 reduziu a rentabilidade dos bancos. A alta do juro, aliada a outros fatores, pode dar continuidade à valorização das ações dos bancos que já estamos vendo neste ano “, diz estrategista do home broker Ricco, Roberto Indech, ao se referir ao fato de que o juro cobrado nos empréstimos acompanhou a trajetória da Selic e se reduziu. “Não acho que o nível de lucratividade vá subir de forma tão forte, mas a alta do juro pode desafogar o spread achatado desde o ano passado”, afirma o estrategista-chefe da corretora Coinvalores, Marco Aurélio Barbosa.

Em março de 2012, o juro básico estava em 9,75%, taxa que atualmente está em 7,5%. Não só a baixa do juro reduziu os ganhos dos bancos, mas também uma pressão do governo pela queda de tarifas. Por meio de reduções nas taxas cobradas da Caixa Econômica Federal, o governo fez com que as demais instituições acompanhassem o movimento e reduzissem o valor cobrado no crédito.

Justamente por essa pressão ter sido tão forte em 2012 que há quem esteja cético quanto uma melhora do spread. “Mesmo com uma alta do juro básico, acredito que os bancos estatais não vão deixar os demais elevar o spread. O governo deve continuar batendo muito forte”, diz o analista chefe da Walpires Corretora, Leandro Martins.

Apesar de haverem setores mais e menos sensíveis ao juro, para o analista e diretor da Infopro (Brasil Instituto de Formação Profissional), Richard Rytenband. “Ao contrário do que diz a teoria, uma alta do juro pode num primeiro momento não ser tão prejudicial para as ações. Tudo depende da intensidade e da expectativa desse ajuste”, explica. “No momento, o ponto é recuperar a confiança do mercado, que está confuso quanto aos objetivos do governo. Há inflação não só de preços, mas de intervenções, de regras. O compromisso em combater a inflação pode ser bem visto, o mercado pode interpretar que o governo acordou”, diz Rytenband.

Demais setores

Em geral, a expectativa é de que não haja grandes fugas de capital da bolsa, já que quando o juro caiu também não houve um elevado volume de recursos ingressando. Pesa ainda o fato de a bolsa brasileira estar defasada em relação aos demais mercados do mundo. Sobre os balanços, porém, o juro pode afetar as empresas de diferentes maneiras. “Numa visão geral a alta do juro é mais prejudicial do que favorável, mas pela Bolsa estar defasada não deve haver saída de ações para ir para a renda fixa”, diz Martins.

No caso da construção civil e setores que dependem de crédito de longo prazo, como bens duráveis, o impacto deve ser negativo. A alta do juro pode aumentar a inadimplência além de diminuir a receita de vendas. O varejo de curto prazo e de somas de recurso menores, como a compra de alimentos e vestuário, não deve ser tão impactado, já que dependem mais do nível de renda e emprego do que propriamente do juro.

Para as empresas de concessão rodoviárias, a alta também pode não ser boa. A receita dessas companhias está atrelada à inflação. “O passivo, as dívidas, está ligado à Selic e irá subir. Por outro lado, o repasse da inflação que elas farão para as tarifas tende a cair. Uma receita menor com um passivo maior pode fazer com que o mercado de um desconto para as ações do setor”, analisa Barbosa.

“Por conta da redução da inflação, algumas empresas do setor de energia elétrica podem ser prejudicadas, por terem seus contratos indexados aos índices de preços. O impacto porém é marginal, somente o reajuste dos contratos”, avalia Indech.

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