Vale a pena aplicar na caderneta de poupança?

Vale a pena aplicar na caderneta de poupança?

Yolanda Fordelone

08 de outubro de 2014 | 08h38

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Primeiro investimento da maioria dos brasileiros, não à toa a caderneta de poupança é a aplicação mais popular no País. No total, são 125 milhões de brasileiros* investindo na poupança. No ano, a caderneta teve captação líquida (aplicações menos resgates) de R$ 15,5 bilhões.

Apesar da facilidade da aplicação e da liquidez diária, nem tudo são flores. O aumento do juro ao longo do ano fez com que a poupança voltasse a perder a atratividade frente outros produtos do mercado financeiro atrelados à taxa Selic. Por isso, a pergunta que fica é: ainda vale a pena investir na poupança?

No quarto post da série “Vale a pena” veja porque a poupança atualmente só é indicada para volumes muitos baixos de investidores que não têm acesso a bons fundos e Certificados de Depósito Bancário (CDBs).

Vale a pena?

“A poupança está perdendo cada vez mais espaço para outros produtos do mercado”, diz o administrador de carteiras, Fabio Colombo. A decisão entre investir na poupança ou em um fundo DI deve ser tomada apenas com uma boa pesquisa de mercado. Apesar de nos fundos haver Imposto de Renda – que começa em 22,5% se o resgate for feito em menos de seis meses e termina em 15% caso seja feito em mais de dois anos -, a poupança perde em termos de rentabilidade para fundos com baixas taxas de administração.

Colombo faz o cálculo pegando os dois casos extremos de IR: se for investir até seis meses, a poupança empata com fundos que cobrem de 2,5% a 3% de taxa de administração; se for acima de dois anos, a taxa de equilíbrio está entre 3% e 3,5%. Ou seja, se o fundo que o investidor tem acesso cobrar taxa abaixo desses valores já não vale a pena a poupança.

Outra vantagem dos fundos em relação a poupança é a rentabilidade diária. A poupança só computa a rentabilidade nos aniversários mensais. Se o investidor depositou um valor no dia 5 e sacá-lo no dia 20, não terá tido rentabilidade alguma correspondente a estes 15 dias. A rendimento só seria debitado no dia 5 do mês seguinte. Nos fundos a liquidez e a rentabilidade são diárias, sendo totalmente proporcional ao período que o cliente ficou no investimento.

Uma alternativa ainda mais atrativa, segundo Colombo, é a aplicação em títulos públicos vendidos no Tesouro Direto. A quantia mínima para aplicar é de R$ 30 e atualmente há corretoras que fazem o investimento sem cobrar taxa alguma. A barreira neste caso não é financeira, mas tecnológica. “Para aplicar no Tesouro Direto é preciso estar familiarizado com a internet e hoje em dia ainda tem muito brasileiro que não tem o hábito de navegar. Acredito que conforme for mudando as gerações o produto vai se tornar cada vez mais popular por causa disso”, diz.

Por todos estes motivos, Colombo acredita que a poupança é um investimento de entrada no mercado, o primeiro de muitos brasileiros, mas que com o tempo o cliente tem de buscar alternativas mais rentáveis. Hoje em dia, a maior parte dos poupadores tem até R$ 100 na carteira.

Como se calcula a rentabilidade da poupança?

A poupança tradicional (a mais antiga) possui apenas uma regra de rentabilidade. Para qualquer taxa de juro, os valores depositados até 03/05/12 rendem 0,5% ao mês mais variação da Taxa Referencial. Se o investidor aplicou após esta data, tem na verdade a “nova poupança”, na qual o cálculo da rentabilidade obedece a duas regras:

* Juro de 8,5% ao ano ou menos: quando a taxa básica Selic estiver em 8,5% ou menos, para que a poupança não tire a competitividade de fundos e de outros produtos de renda fixa, o governo estipulou que o rendimento se daria pela soma da TR mais 70% da Selic.

* Juro acima de 8,5% (cenário atual): hoje a Selic está em 11% ao ano, o que faz valer outra regra das poupanças novas. A rentabilidade nessas situações é a soma de 0,5% mais TR (mesma regra da poupança antiga).

A poupança é mais segura que o CDB?

Teoricamente não, afirma Colombo. Isso porque os dois produtos são cobertos pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na quantia de até R$ 250 mil. Ou seja, se a instituição financeira quebrar, o FGC ressarce cada cliente até este valor limite. O risco em ambos os produtos é de o banco declarar falência. 

Colombo explica que fala-se teoricamente porque no mercado há um pensamento de que a poupança é  o investimento básico do brasileiro e , por isso, seria mais protegida. “Não podemos esquecer, porém, que na época do Collor foi a primeira a ser confiscada”.

* Os dados sobre a quantidade de brasileiros que investem na poupança e a divisão por valor poupado são de 2013, pois o Banco Central ainda não divulgou o censo semestral do FGC.

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