A, B e Eu

Paul Krugman

15 de outubro de 2012 | 17h57

Um rápido comentário genérico: constantemente sou alvo de críticas como “agora você diz A, mas em 1996 ou 2003, ou outro ano, disse B. Você não é coerente”. Como tenho escrito muito ao longo dos anos, há muitas oportunidades para este tipo de comentário ser feito e não tenho tempo para responder a cada um em separado.

Então, o que ocorre? Uma destas três coisas:

1 – As situações são diferentes.

2 – Eu mudei minhas opiniões com base em fatos.

3 – Eu mudei minha opinião porque aprendi alguma coisa

Um exemplo do primeiro caso: Os cortes de impostos decididos pelo ex-presidente Bush não podem ser comparados ao programa de estímulo de Obama. Os cortes de impostos deviam ser permanentes, reduzindo a receita em cerca de dois por cento do PIB indefinidamente (e pode muito bem acabar dessa maneira), ao passo que o estímulo sempre foi encarado como uma medida temporária (e provou ser bastante temporária na prática).

É perfeitamente razoável ficar preocupado com os efeitos de um aumento permanente do déficit, resultado de um programa chamado “starve the beast” (uma estratégia política defendida pelos conservadores para limitar os gastos do governo por meio da redução de imposto, privando o governo de receita e deste modo forçando-o a reduzir suas despesas), mas não com os efeitos de uma elevação temporária em resposta a uma crise importante.

Um exemplo do segundo caso: Eu costumava me preocupar muito mais com a perda de confiança do investidor nos Estados Unidos; a solidez desta confiança em países avançados com independência monetária tem sido uma importante lição.

Um exemplo do terceiro caso: Eu costumava levar a frase de Pete Peterson “Epa! População idosa” muito a sério. Não percebi isso até entender melhor que os custos com a saúde, e não a demografia, é que são o principal fator.

Assim, basta de críticas. Por que não avaliar o que eu digo com base no mérito do próprio assunto?