A crise de coesão

Paul Krugman

27 de abril de 2010 | 19h20

Chega de Piigs, esse acrônimo totalmente inútil. O que vemos agora é uma crise dos “países da coesão” – aqueles que entraram na União Europeia relativamente pobres e, por algum tempo, receberam uma ajuda substancial sob a forma de “fundos de coesão”.

(No linguajar euro, é importante saber as diferenças entre coesão e convergência: coesão significa convergência em termos do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, enquanto convergência significa fazer com que a inflação esteja em linha de forma que seja possível a coesão monetária. Entenderam?)

A Grécia está aparentemente numa espiral à beira da insolvência: não sei se conseguirá dar um passo atrás agora. Também deveria deixar o euro? Seria uma caos total, um convite à maior corrida aos bancos, embora daqui a pouco deva explicar que isso pode ocorrer de qualquer maneira.

Agora, Portugal. Vemos picos assustadores nos rendimentos dos títulos – e, na minha opinião, é muito mais provável que o rebaixamento da sua classificação seja mais uma consequência do que uma causa da tendência.

 

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Os problemas orçamentários de Portugal, aparentemente, não são tão graves quanto os da Grécia. Mas o país teve uma enorme bolha da habitação, e agora a opinião do mercado é que os bancos estão em dificuldade. Por Business Insider, o spread interbancário:

 

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Agora, se for preciso resgatar os bancos, isso afetará profundamente o orçamento.

A propósito, olhando para esse quadro fico imaginando se o Sovereign Bank não deveria parar de salientar o fato de que faz parte de um banco espanhol?

A questão agora é saber até onde isso se espalhará. Olhando para o spread entre os títulos italianos e alemães estou ficando um pouco assustado com o que vejo.

 

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