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A fantasia de Cameron

Paul Krugman

31 de outubro de 2011 | 16h34

Oh, céus. David Cameron publicou um artigo na edição de hoje do FT que deve pôr fim a todas as sugestões de que ele teria a mínima ideia do que está fazendo.

Ele abre o texto dizendo que

“Estou confiante na nossa capacidade de não apenas resolver a crise atual como também superá-la com uma economia que seja mais robusta e fundamentalmente mais justa. A argumentação que tenho defendido em meu país e na reunião do G-20, formado pelas principais economias do mundo, realizada em Cannes é a de que só seremos capazes de fazê-lo se demonstrarmos uma completa união de propósitos em três frentes…”

Não sei exatamente como se demonstra uma completa união de propósitos em três frentes. Será que ele está falando em algum princípio zen?

Falando sério, eis aqui a defesa que ele faz das medidas de austeridade:

“É graças ao plano crível apresentado por este governo que hoje temos juros de mercado de apenas 2,5% – metade do que são na Espanha ou na Itália.”

De fato, ninguém mais conseguiu chegar a juros baixos apesar de um grande endividamento e déficits expressivos. Ei, espere aí:

Os juros japoneses também estão baixos, embora a queda não seja tão expressiva por já estarem tão próximos do limiar inferior igual a zero. Todos os indícios sugerem que os juros estão caindo por causa da queda  – e não da recuperação – da confiança: ninguém espera que países que têm moeda própria declarem moratória, coisa que nunca foi de fato esperada; mas agora espera-se que os juros permaneçam baixos por muito tempo por causa de uma economia enfraquecida.

E tudo isto é muito triste. Cameron está apontando para um declínio nos juros que ocorre em todo o mundo, exceto entre os países que abriram mão de suas próprias moedas, e dizendo que enxerga a fadinha da confiança.

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