A resposta, meu amigo

Paul Krugman

19 de julho de 2011 | 15h33

Yves Smith traz o link para um interessante artigo sobre energia eólica; aparentemente é possível obter muito mais energia a partir de uma fazenda eólica de determinada área se projetarmos as turbinas de uma maneira que minimize a interferência aerodinâmica.

Está bem, não se trata de um assunto que eu domine. Mas existe algo de mais amplo que esta história traz à mente.

Aqueles que se opõem a uma vigorosa política de contenção das emissões de carbono tendem a acreditar piamente na magia da economia de mercado. Mas, por alguma razão, esta fé desaparece em se tratando das questões ambientais. Aqueles que realmente acreditam nos mercados devem crer que, dados os incentivos corretos – ou seja, se houver um preço para as emissões, seja por meio da tributação ou de uma estrutura de permissões negociáveis -, a economia vai descobrir muitas maneiras de emitir menos carbono. Ninguém deve acreditar, como sugerem os antiambientalistas, que o resultado seria um desastre econômico.

Quais deveriam ser os motivos para o otimismo? Bem, se analisarmos a história da utilização dos combustíveis fósseis, veremos que ela compreende uma inovação e um aprimoramento contínuos. Os primeiros motores a vapor eram extremamente ineficientes; mas, com o passar dos anos, mais graças à experiência e à inovação prática do que às revoluções científicas, eles se tornaram muitíssimo melhores. O mesmo se aplica aos aviões e a tantas outras coisas.

A questão é que as fontes renováveis de energia como a solar e a eólica não passaram – ainda – por um processo comparável de aprimoramento porque os incentivos não se materializaram. Mas, quando chegarmos a um ponto em que o preço do carbono torne estas fontes comercialmente viáveis, não faltarão motivos para esperar grandes melhorias com o passar do tempo proporcionados pela – ela mesma – magia da economia de mercado.

Assim, o pessimismo em relação à nossa capacidade de ter uma economia de baixa emissão de carbono ignora todas as evidências históricas. Mas é claro que não começaremos a trilhar este rumo até que possamos contar com políticos semirracionais…

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