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Ainda loucos depois de tantos meses

Paul Krugman

26 de maio de 2011 | 18h02

Há um ano, fiz comentários ácidos a respeito da OCDE, que inexplicavelmente exigia aumentos agressivos nos juros de países avançados apesar de suas próprias projeções mostrarem que o desemprego seguiria alto e a inflação subjacente permaneceria baixa nos próximos anos.

Bem, eles continuam insistindo nisso.

O mais recente panorama econômico (Economic Outlook) da OCDE pede novamente um aumento nos juros – o termo técnico empregado agora, usado também por Mario Draghi, é “normalização” das taxas. Vejamos: a situação econômica continua profundamente anormal, com um desemprego de longo prazo sem precedentes; por que motivo a política monetária deveria ser normal?

Eis abaixo as previsões da OCDE para a inflação:

Como vemos, a OCDE espera, com razão, que a inflação global esteja sofrendo uma elevação temporária, e também que o núcleo da inflação permanecerá baixo – na verdade, abaixo da meta. Que motivo há para aumentar os juros? O relatório

Documento

(pdf) que

a necessidade de manter políticas de juro-quase-zero por questões de gestão de risco perdeu força, e um ajuste precoce ascendente na política de juros para estabelecer um nível visivelmente positivo, como na zona do euro, é recomendável para os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, mas não ainda para o Japão. Isto ajudaria também na proteção contra o renovado acúmulo de fragilidades financeiras e proporcionaria um melhor ponto de partida no caso de surgir a necessidade de se reagir a surpresas inflacionárias ascendentes.

O que significa isto? Não tenho ideia. Por que os juros precisam ser “visivelmente positivos”? Por que uma taxa de juros visivelmente positiva seria um “melhor ponto de partida” para responder a surpresas inflacionárias? (Ao que me consta, é tão fácil aumentar os juros de 0% para 1% quanto aumentá-los de 1% para 2%.) Basicamente, trata-se de um monte de baboseira, um conjunto de palavras complicadas para justificar um aperto monetário na ausência de argumentos racionais para fazê-lo.

Para retomar um tema que costumo explorar: vivemos num mundo onde Pessoas Muito Sérias continuam a inventar teorias e justificativas no calor do momento para legitimar o emprego de uma política ortodoxa numa situação nada ortodoxa; enquanto isso, aqueles que se baseiam em análises coerentes e reais elaboradas a partir dos modelos econômicos elementares são tratados como radicais perigosos.

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