Boa inflação, má inflação

Paul Krugman

25 de fevereiro de 2011 | 15h18

Mais um artigo de puro economismo: o FTAlphaville relata que algumas pessoas acreditam que uma alta acentuada no preço das commodities pode ser positiva para o Japão, pois isso porá fim à deflação.

Ora, isso me parece uma amostra de incapacidade de compreensão dos princípios econômicos.

Por que a deflação tem o efeito de deprimir a economia? Por dois motivos. Primeiro, porque reduz a renda enquanto a dívida é mantida inalterada, acentuando os problemas no balanço patrimonial e reduzindo os gastos. Segundo, a expectativa de uma deflação ainda maior significa que os empréstimos tomados terão de ser quitados por meio de salários mais baixos (no caso de um lar) ou uma renda mais baixa (no caso de uma empresa). Assim, a expectativa de uma deflação futura também reduz os gastos.

Assim sendo, será que um aumento nos preços dos alimentos e dos recursos energéticos produz algum tipo de efeito capaz de aliviar tais problemas? Não. Na verdade, os problemas são agravados por causa da redução do poder de compra. Assim, apesar de a alta acentuada no preço das commodities levar a uma alta generalizada dos preços no Japão, o problema subjacente da deflação não será afetado em nada.

De certa forma, trata-se de outro exemplo da necessidade de sabermos diferenciar entre as maneiras de se medir a inflação. Não é exatamente o mesmo caso do núcleo da inflação, mas as questões estão relacionadas. E, novamente, o fato é que acompanhar “o” índice da inflação não é uma boa forma de orientar a política econômica.

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