Como identificar um enganador

Paul Krugman

08 de agosto de 2010 | 17h27

Ezra Klein diz que concorda comigo na crítica que faço a Paul Ryan, mas nega que ele seja um enganador.

Ele está errado.

Há muito tempo – basicamente quando comecei a escrever para o Times – decidi começar a julgar o caráter dos políticos pelo que ele dizem sobre política e não pelas suas atitudes pessoais. O que me levou a concluir que George W. Bush foi desonesto e perigoso quando todos se referiam a ele como a pessoa encantadora e racional que era. E  também a concluir que Colin Powell não merecia confiança, quando todo mundo afirmava que seu discurso nas Nações Unidos tinha sido a palavra final que convenceu todos em favor da guerra. Foi também o que me levou a achar que John McCain era uma pessoa sem princípios e egocêntrica quando todo mundo dizia que ele era um rebelde profundamente escrupuloso. E, sim, acabei chegando à conclusão que Barack Obama era um bom homem, mas muito menos progressista do que seus entusiasmados defensores imaginavam.

Portanto, não me importa como Paul Ryan é recebido pelas pessoas. Eu observo como ele tem vendido suas ideias e nesse sentido considero-o um enganador inescrupuloso.

Reflita sobre o relatório do CBO (Escritório de Orçamento do Congresso): usar o relatório para marcar apenas os cortes de gastos e não as propostas fiscais,  depois atribuir-se o mérito de ser um grande redutor do déficit é simplesmente imoral. Não reconhecer que a hipótese de um crescimento nominal zero, e não as mudanças de titularidade, está conduzindo ao resultado em 2020 também é imoral. E toda a pose de falcão do déficit, quando você sabe que existem dúvidas reais quanto a se o seu plano realmente aumenta o déficit, é uma impostura de primeira ordem.

E quanto ao relatório do Tax Policy Center (Centro de Política Fiscal), faz cinco meses que ele foi divulgado. Ryan tentou, por acaso, resolver as preocupações levantadas pelo Centro? Até onde posso dizer, ele não ofereceu nada, salvo vagas garantias de boas intenções. Por que devemos acreditar nele? Só porque é um sujeito simpático? Foi assim também com Bush.

Enganador é aquele engana. Paul Ryan mostra todos os sinais disso

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