Crédito extra?

Paul Krugman

20 de abril de 2011 | 17h35

Uma coisa que eu vejo aqui e ali – em blogs, em comentários, etc – é a alegação de que a inflação é definida não pelo aumento dos preços, mas pela expansão do dinheiro e do crédito, e os preços são apenas um sintoma.

Na verdade, não. As palavras têm o sentido que é atribuído a elas, e se todos usarem a palavra “inflação” para se referir ao Índice de Preços ao Consumidor, então é disso que se trata. Quando se tem uma teoria que diz que a inflação nesse sentido é sempre o resultado de uma expansão monetária, ótimo – mas isso é uma teoria, não a definição.

E quem quer mesmo ir lá? Afinal, os dados sobre dinheiro e crédito não justificam realmente nossos temores.

Primeiramente, o que é dinheiro? Não é apenas pedaços de papel verde com estampas de presidentes mortos – isso é uma definição estreita demais. Milton Friedman gostava da M2, que inclui um amplo leque de depósitos bancários. No mundo moderno, há uma defesa convincente para se acrescentar outras formas de colocação de recursos de curto prazo, como acordos de recompra. E medidas como essa não mostraram um rápido crescimento – aliás, elas mergulharam na crise financeira, e mesmo agora estão crescendo abaixo das taxas históricas.

E quanto ao crédito? Eis a taxa de crescimento de obrigações de crédito não financeiras nos Estados Unidos – incluindo empresa, consumidores e governo combinados.

Estamos bem abaixo das taxas de crescimento históricas.

A única maneira de se ver pressões inflacionárias perigosas aqui é ver a dívida pública como muito mais inflacionária que a dívida do setor privado. Por quê?

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