Déficits comerciais assassinos

Paul Krugman

17 de agosto de 2010 | 17h13

Concordo com tudo o que este editorial do NYT tem a dizer a respeito dos aspectos econômicos dos desequilíbrios internacionais, cada vez mais acentuados. Mas discordo da estratégia proposta, que prevê a negociação. Meus colegas acreditam que devemos repreender os chineses e mostrar a eles como é prejudicial o que estão fazendo, mas sem chegar a ameaçá-los com sanções, para evitar o início de uma guerra comercial. Eu acredito que isso não nos leva a lugar nenhum.

No momento, a China segue uma política que, na prática, impõe altas tarifas e proporciona grandes subsídios à exportação – pois são esses os efeitos de uma moeda subvalorizada. Isso deveria representar uma violação das regras comerciais; talvez consista de fato numa violação, mas os termos da lei são vagos quanto a esse aspecto. Deixemos de lado as minúcias da lei por um instante: o que a China está fazendo corresponde a uma política comercial agressivamente predatória, do tipo que deveria ser evitada por meio de sanções.

Mas os chineses perceberam nossas intenções e acreditam que não vamos agir. Até que (ou a não ser que) isso mude, nossos protestos não passam de perda de tempo.

Proponho que enfrentemos a questão diretamente – e, se isso nos conduzir a um conflito comercial, devemos levar em consideração que, numa economia mundial em depressão, os países que apresentam excedentes têm muito a perder com um conflito desse tipo, enquanto os países deficitários podem muito bem acabar fortalecendo suas posições. Ou, em outras palavras, no momento estamos vivendo num mundo no qual o mercantilismo funciona. No longo prazo, vamos emergir desse tipo de mundo; mas apenas no longo prazo…

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