Delírios do bipartidarismo

Paul Krugman

23 de fevereiro de 2010 | 18h24

Boa sacada de Matt Yglesias, que cita algumas críticas centristas típicas a Obama publicadas na revista The Economist:

Se, em vez de entregar o sistema de saúde à ala esquerda de seu partido, Obama tivesse cumprido sua promessa de ser um presidente bipartidário, cortejando os conservadores com a oferta de, digamos, uma reforma no sistema de delitos civis, talvez ele tivesse conseguido a aprovação da reforma do sistema de saúde…

Para então destacar que o plano do sistema de saúde, longe de ser uma criação “da esquerda”, é mais ou menos igual ao que foi aprovado por Mitt Romney em Massachusetts, e também que Obama fez exatamente o que a Economist o acusou de não ter feito – e não recebeu nada em troca:

Então, bem ali na sala de reuniões da Casa Branca, o presidente fez uma proposta, de acordo com duas pessoas presentes. Obama disse estar disposto a conter as indenizações por erro médico, medida que os republicanos há muito querem aprovar e que deve despertar uma forte oposição por parte dos advogados que financiam o Partido Democrata.

Ele queria saber o que os republicanos tinham a oferecer em troca. Mas descobriu que os republicanos não estavam preparados para fazer concessões, se é que tinham concessões a fazer.

Infelizmente, há entre os comentaristas políticos muitas pessoas que estão simplesmente certas do fato de que Obama não está recebendo a cooperação dos republicanos por estar servindo aos esquerdistas – e então inventam fatos para sustentar seu ponto de vista.

A verdade, obviamente enunciada todos os dias nos noticiários, é que não há nada, absolutamente nada, que Obama possa oferecer aos republicanos para conquistar a sua cooperação – com exceção de uma mudança de partido.

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