Desapontado com Roach

Paul Krugman

30 de março de 2010 | 17h35

Realmente não sei o que dizer a respeito da coluna de Steve Roach sobre a China publicada hoje. Parece que ele não leu nada daquilo que escreveram os que pedem uma posição mais rigorosa em relação ao yuan. A argumentação toda parece sugerir que os críticos da China estão concentrados no desequilíbrio bilateral entre China e Estados Unidos, sendo que eu já esclareci que este não é o aspecto importante da questão:

Em quarto lugar, é um equívoco concentrar-se apenas na concorrência direta entre China e EUA. Em muitos casos, as exportações chinesas concorrem com aquelas de outros países em desenvolvimento. Se a cotação do yuan subir, esses países se tornarão mais competitivos – e também verão uma apreciação de suas moedas frente ao dólar, oferecendo novos canais para trazer empregos e serviços a esses países. Isso pode soar como especulação, mas não é: lembre-se, se a China puser um fim à sua exportação artificial de capital, isso aparecerá nos fluxos comerciais de uma maneira ou de outra.

E a insistência dele de que uma mudança no valor do yuan não alteraria os equilíbrios mais amplos porque estes são um reflexo das poupanças parece implicar não apenas que Roach é adepto da doutrina da transferência imaculada como também que ele ignora o fato de que o mundo sofre com um profundo desemprego e está numa armadilha de liquidez.

Não estou necessariamente certo a respeito da China. Pode-se argumentar, por exemplo, que os perigos do confronto superam os ganhos potenciais. Mas este tema merece mais do que uma representação deliberadamente equivocada dos falcões do yuan e a citação de antigas falácias macroeconômicas.

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