Divida e crescimento no G-7

Paul Krugman

26 de dezembro de 2011 | 16h12

Tenho escrito com uma certa frequência sobre a afirmação, muito citada, de Reinhardt/Rogoff,  de que coisas terríveis devem suceder para o crescimento econômico se a relação entre endividamento e PIB (Produto Interno Bruto) exceder os 90%.   Uma afirmação que tem sido totalmente desmentida,  mas que continua a circular  entre as Pessoas Muito Sérias como um fato notório. De qualquer modo, analisando alguns dados da dívida, achei que seria útil  examinar a dívida das economias mais avançadas desde a 2ª Guerra Mundial e verificar quem foi atingido por este critério dos 90%.

A resposta é que este clube dos 90% consistiu de nações de língua inglesa logo após a 2a.Guerra Mundial, a Grã-Bretanha durante um período mais longo no pós-guerra, mas então a Itália desde os anos 80, o Japão desde meados dos 90 e alguns anos no Canadá.

E o que conseguimos saber a propósito destes episódios? As economias contraíram nos anos imediatamente após a guerra não por causa da dívida, mas porque Rosie the Riveter (símbolo da mulher americana que trabalhou nas fábricas durante a 2a. Guerra Mundial) voltou a ser a dona de casa. Itália e Japão também registraram uma forte desaceleração do crescimento antes da sua dívida ficar tão alta, e você pode argumentar vigorosamente no sentido de que o crescimento lento resultou na dívida alta e não o contrário.

Assim realmente trata-se de uma correlação espúria – não que isto terá alguma influência sobre as pessoas que aceitaram esta correlação porque ela confirmou sua predisposição àquela ideia.

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