Em quem você irá acreditar?

Paul Krugman

23 de setembro de 2010 | 17h30

Acessei meu e-mail hoje e recebi o conjunto habitual de mensagens dizendo que estou errado a respeito de tudo, e que devemos fazer o oposto de tudo que sugiro. Bem, vivemos num país livre.

Mas fui levado a indagar, como faço tantas vezes, a respeito da determinação com a qual as pessoas acreditam em especialistas que lhes agradam do ponto de vista ideológico, independentemente do quanto eles tenham se mostrado errados de novo e de novo – errados num sentido que fez com que as pessoas que acreditaram neles perdessem dinheiro.

Suponhamos que você tenha passado os últimos cinco anos acreditando naquilo que escrevem os suspeitos de sempre – os editoriais do WSJ, o National Review, os economistas de direita, etc. Eis o que teria ocorrido:

Em 2006 você teria acreditado que não havia bolha imobiliária.

Em 2007 você teria acreditado que seria impossível que os problemas no subprime contaminassem todo o sistema financeiro.

Em 2008 você teria acreditado que não estávamos numa recessão – e que a quebra do Lehman dificilmente teria consequências negativas para a economia real.

Em 2009 você teria acreditado na iminência de uma alta inflação.

No início de 2010 você teria acreditado na iminência de juros exorbitantes.

É verdade que todos cometemos erros e entendemos as coisas equivocadamente de vez em quando – apesar de ser notável a frequência com a qual os trolls deste blog sentem a necessidade de me acusar de ter dito coisas que jamais disse. Mas, depois dessa sequência de erros, não seria de se esperar ao menos que o público começasse a desconfiar que esses especialistas considerados tão sábios têm uma visão fundamentalmente errada de como o mundo funciona?

Parece que não.

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