Estejamos prontos para cunhar a moeda

Paul Krugman

07 de janeiro de 2013 | 15h14

Acaso o presidente Obama deveria estar preparado para cunhar uma moeda de platina de US$ 1 trilhão, caso os republicanos tentem forçar os Estados Unidos a dar o calote da dívida? Seguramente. Afinal, ele terá de escolher entre duas alternativas: uma absurda, mas benigna, a outra igualmente absurda, embora ambas torpes  e desastrosas. A decisão deveria ser óbvia.

Para os que não estão a par do problema, a história é a seguinte. Em primeiro lugar, temos a estranha e destrutiva instituição do teto da dívida; ela permite que o Congresso aprove projetos de lei sobre impostos e gastos que implicam um enorme déficit orçamentário – projetos de lei que o presidente deve legalmente implementar – e, depois, permite que o Congresso se recuse a conceder ao presidente a autoridade para tomar dinheiro emprestado, impedindo que ele atenda às suas obrigações legais e provocando um calote provavelmente catastrófico.

Os republicanos ameaçam abertamente usar este recurso desastroso para chantagear o presidente a fim de obrigá-lo a implementar medidas que eles não podem aprovar mediante processos constitucionais legais.

Quanto à moeda de platina, existe uma brecha legal que permite que o Tesouro imprima moedas de platina de qualquer valor que o secretário desejar. De fato, ela foi prevista para produzir artigos comemorativos de colecionador – mas não é isto que a letra da lei diz. Cunhando uma moeda de US$ 1 trilhão e depositando-a no Federal Reserve (Fed, banco central americano), o Tesouro poderia adquirir dinheiro suficiente para evitar o teto da dívida – sem, ao mesmo tempo, prejudicar a economia.

E por que não?

É fácil fazer declarações solenes para nos desencorajar a procurar subterfúgios; em vez disso, deveríamos sentar como pessoas sérias e tentar solucionar os nossos problemas com seriedade. O que talvez pareça razoável – se a gente tivesse vivido numa caverna nos últimos quatro anos. Considerando a realidade da nossa situação política, e em particular a mistura de crueldade e loucura que atualmente caracteriza os republicanos da Câmara, é simplesmente ridículo – muito mais ridículo do que a ideia da moeda.

Portanto, se a solução apresentada pela 14ª emenda – declarando que o teto da dívida é inconstitucional – é inviável, vamos optar pela moeda.

O que nos deixa ainda com a questão do rosto a ser impresso na moeda – mas é fácil: o de John Boehner (republicano e presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos). Porque sem ele e seus colegas, não haveria necessidade disto.

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