Mais negação com relação à crise financeira

Paul Krugman

30 Outubro 2012 | 18h15

Consegui evitar ler o perfil de Glenn Hubbard  no The New York Times até o momento. Mas vou deixar a consultoria para outros e falar sobre as más teorias econômicas.

Glenn Hubbard repete o que agora se tornou a linha do partido: que todas as recessões profundas são as mesmas e devíamos ter tido uma curva de recuperação em V da crise de 2008-2009, de modo que é tudo culpa de Obama:

“É absolutamente possível, tanto em termos dos modelos de efeitos políticos sobre a recuperação e experiência histórica”, ele disse num tom professoral, mas não condescendente. “Se você examinar a recuperação dos anos 74, 75 ou 81 e 82, facilmente observará um crescimento do emprego nesta faixa. Nós temos uma miscelânea de políticas erradas. Tivemos um choque horrível, estamos numa situação diferente, mas poderíamos estar muito melhor”.

As palavras me fogem. Bem, na verdade não. Aqui estão algumas: logo no início da crise, bem antes de as pessoas que hoje assessoram Romney estarem mesmo dispostas a reconhecer que houve um problema, havia um debate entre duas ideias: que as recessões profundas sempre foram acompanhadas de uma recuperação rápida e que recessões provocadas por crises financeiras – que forçaram a política monetária no sentido de juro quase zero – foram seguidas por recuperações lentas “de desemprego” .

É o que tenho afirmado  desde janeiro de 2008.

Isto não foi apenas uma questão política: os especialistas em prognósticos para o setor privado também ficaram divididos. Inúmeras pessoas previam uma recuperação em V. Mas estavam erradas e acabaram tendo de admitir que estavam erradas ou então ficaram em silêncio.

Os dados de Reinhardt-Rogoff sobre consequências de crises são oportunos neste debate, mas se somam à conclusão de que a recuperação de 2008-2009 não foi provavelmente similar às de 81-82 ou 74-75. E esta é uma opinião avalizada pela teoria, pela história e, como se verifica, pelas previsões acertadas na crise atual.

E a equipe de Romney está simplesmente rejeitando-a, porque é politicamente conveniente ignorar tudo isso. Incrível.