Mike Woodford e a Política Monetária e Fiscal

Paul Krugman

21 de junho de 2011 | 17h49

Uma das perguntas que me têm sido feitas frequentemente é por que passei todo o ano de 2008 defendendo a expansão fiscal e não a expansão monetária. Na conferência sobre Keynes, hoje de manhã, Mike Woodford apresentou uma visão das opções políticas quando nos deparamos com o limite zero, que, de certo modo, expressa melhor o que pensava na época, e não consegui explicar com tanta clareza.

Em primeiro lugar, Mike afirmou que, quando estamos no limite zero, a expansão monetária funciona em grande parte, quando ela funciona, afetando as expectativas. Se as pessoas não percebem a expansão como uma mudança da política que persistirá mesmo depois que a economia se recuperar, mudanças da base monetária, mesmo que mudanças consideráveis, dificilmente chegarão a ter algum efeito. Mike mostrou um gráfico do Japão do período entre 2000 2 2008 que reproduzi:

Observem que o Japão reverteu a expansão inicial da base monetária, confirmando as expectativas dos que podem ter julgado esta expansão temporária – e o Japão fez isto inclusive durante a deflação! Observem também que o Produto Interno Bruto (PIB) nominal sequer se mexeu, apesar da enorme quantidade de dinheiro que estava sendo impresso.

Portanto, por que uma resposta fiscal seria melhor? Mike afirma:

1. Uma resposta fiscal a uma crise profunda não exige que você se comprometa com mudanças quando a tempestade já passou; ela “exige apenas uma ação inusitada enquanto a situação é grave”.

2. A política fiscal “não depende totalmente da mudança das expectativas para produzir o seu efeito (mais forte para os modelos alternativos de expectativas)”.

É mais ou menos o que eu pensava em janeiro de 2009. Com a grave crise fiscal ainda relativamente recente, e enquanto muitas pessoas ainda esperavam uma recuperação em V, parecia impossível convencer o Fed a se comprometer com um aumento permanente da base monetária ou com um aumento da meta inflacionária de médio prazo, e igualmente impossível convencer os mercados de que ocorrera uma mudança da política no longo prazo. As possibilidades de convencer o Congresso a concordar com um considerável estímulo fiscal temporário pareciam muito melhores.

Mas não aconteceu nada disso; tivemos um estímulo inadequado, e o fato de este estímulo não ser suficiente, na época, foi considerado a prova de que as políticas keynesianas não funcionam – em parte porque o governo Obama insistia e continua insistindo que o tamanho do estímulo era correto.

Portanto, qual era a resposta certa? Eu acho que, se forças políticas poderosas impedem qualquer resposta efetiva a uma crise, não há uma resposta efetiva àquela crise.

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