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Minas de carvão e keynesianos militares

Paul Krugman

28 de outubro de 2011 | 16h52

Ah, então temos agora um novo princípio de economia : os gastos do governo não podem criar empregos, mas os cortes nas despesas do governo podem destruir empregos – desde que estes empregos estejam no setor da defesa.

Levou meses de disputas – a ameaça de uma paralisação do governo, um risco ainda maior de um calote da dívida nacional, e agora uma nova ameaça, de enormes cortes automáticos nos programas da defesa e do Medicare – mas a obsessão do Congresso com o déficit finalmente expôs a mais rara de todas as espécies: a dos keynesianos republicanos.

Com pouco menos de um mês até a Super Comissão sobre o déficit público recomendar as políticas necessárias para um corte em 10 anos de um déficit de US$ 1,2 trilhão, membros do Partido Republicano – o mesmo partido que está no caminho de uma guerra para que sejam feitos cortes profundos nas despesas, e que condena o “estímulo fracassado” do presidente Obama – estão fornecendo argumentos inusitados contra os cortes nas despesas. Se os cortes forem exagerados, rápidos demais, eles advertem, as pessoas perderão seus empregos!

Além disso – cortes no Exército – ou eliminando programas ou dispensando soldados – resultará em graves custos econômicos”, escreveu o chairman Buck McKeon num artigo publicado pelo The Wall Street Journal, na semana passada. “Se a Super Comissão não conseguir chegar a um acordo, os cortes automáticos poderão eliminar até 800.000 postos de trabalho nos setores industrial civil e no serviço ativo (o Exército). Isso aumentará nossa taxa de desemprego em um ponto porcentual, o fechamento de estaleiros e linhas de montagem e prejudicará a base industrial que é necessária para nossas tropas serem supridas e equipadas.

Uma ideia neste caso é que um keynesiano é um austríaco cujos contribuintes para sua campanha estão para perder um contrato lucrativo. Mas também nos leva a um argumento de Keynes, quando ele sugeriu enterrar garrafas cheias de dinheiro em minas de carvão desativadas para que a empresa privada voltar a explorá-las e, no processo, criar empregos:

É curioso como o senso comum, procurando escapar destas conclusões absurdas, tem se inclinado a preferir formas inteiramente “esbanjadoras” de gastos com empréstimos em vez de formas apenas parcialmente perdulárias, as quais, porque não são totalmente esbanjadoras, tendem a ser julgadas com base em princípios estritamente “comerciais”.

Por exemplo, uma ajuda para reduzir o desemprego financiada por empréstimos é mais prontamente aceita do que financiar um progresso a um custo inferior à taxa atual de juros; enquanto a forma de cavar buracos na terra conhecida como mineração de ouro, que não só acrescenta nada à riqueza real do mundo, mas envolve um mal uso da mão de obra, é a mais aceitável de todas as soluções.

E é exatamente isso. Se for proposto algum tipo de investimento público, digamos, em energia verde, ouviremos gritos de “Solyndra! Desperdício! Fraude!” Mas proponha o mesmo montante de gastos em armas que não precisamos e está tudo bem.

Se conseguirmos convencer os republicanos de que a energia solar ou o transporte de massa são um completo desperdício, mas que iriam contrariar algumas potências estrangeiras – os franceses, aí está! – um grande programa de estímulo seria aprovado.

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