Mistério do desemprego?

Paul Krugman

20 de julho de 2010 | 16h33

Brad DeLong se pergunta por que John Harwood se mostra tão alarmado com um suposto aumento excessivo no desemprego, mesmo levando-se em consideração o declínio no PIB. Brad argumenta que a velha Lei de Okun – segundo a qual uma queda de um ponto no PIB provocaria um aumento de apenas meio ponto no desemprego – já se mostrou falsa nas duas últimas recessões.

Concordo; o grande mistério só existe para aqueles que imaginaram a Grande Recessão e o período imediatamente posterior a ela como algo semelhante a um ciclo econômico pré-1990, e não como outro ciclo pós-moderno semelhante aos de 1990 e 2001.

Em especial, vale observar como mudou a produtividade ao longo do ciclo. No momento não tenho tempo para uma explicação adequada, mas proponho a análise deste gráfico:

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Olhando bem, pode-se ver que antes de 1990 as recessões eram, em geral, acompanhadas por uma queda na produtividade, em boa medida porque as empresas conservavam seus funcionários com o objetivo de estarem preparadas para aumentar a produção assim que começasse a recuperação.

Depois de 1990, este efeito de “açambarcamento da força de trabalho” basicamente desapareceu; o aumento na produtividade pareceu acelerar nos períodos de enfraquecimento na demanda. Em parte isso pode ter sido um reflexo de mudanças estruturais na economia; pode também refletir a percepção (correta) de que a recuperação a partir de uma recessão induzida por uma crise financeira é muito mais lenta do que aquela que se segue a uma crise criada pelo aperto monetário, imposto pelo Fed para controlar a inflação.

Isso nos leva a uma questão mais ampla: do meu ponto de vista, um dos problemas da política econômica nos primeiros meses do governo Obama residiu no fato de os funcionários mais graduados – assim como muitos economistas de Wall Street – pensarem na Grande Recessão como uma reprise de 1982, e não como uma versão de 2001 de proporções gigantescas.

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