Motivos para se desesperar

Paul Krugman

26 de maio de 2010 | 15h27

Por alguma razão, os jornais de hoje me transmitiram uma sensação especialmente sombria em relação às perspectivas para a recuperação econômica – não é tanto o noticiário econômico em si, mas aquilo que pode ser observado a respeito da mentalidade dos governantes.

Eis o ponto em que nos encontramos: o PIB está crescendo, mas o desemprego em massa ainda é a regra e o progresso foi mínimo até o momento. O que pode ser feito?

Bem, poderíamos recorrer a mais estímulo fiscal – mas o Congresso agora torce o nariz diante da própria ideia de oferecer ajuda aos desempregados no longo prazo, cujo número não para de aumentar. Como vemos, é uma questão de responsabilidade fiscal – ah, e precisamos garantir que os impostos permaneçam baixos!

Poderíamos adotar uma posição mais dura em relação à China, que continua a manipular sua moeda e, diante de um mundo cuja demanda é bastante inadequada, está na verdade apertando sua política monetária para evitar o superaquecimento de sua economia – quando todos os manuais de economia dizem que em vez disso o país deveria valorizar sua moeda, o que não apenas reequilibraria a economia chinesa, mas também ajudaria o restante do mundo. Assim, levando-se em consideração o revoltante comportamento da China, Geithner foi até o país, não conseguiu nenhum avanço… e se declarou muito satisfeito.

Poderíamos fazer mais por meio da política monetária. A teoria macroeconômica sugere que a resposta teoricamente correta, quando possível, é fazer com que os bancos centrais se comprometam com uma meta inflacionária mais alta. Mas o Fed e o banco central japonês se recusam a fazê-lo porque… bem, não é esse o papel dos bancos centrais.

A situação é deprimente: termos técnicos da economia e o senso comum estão bloqueando todas as rotas de fuga para escaparmos desse declínio. E temo que os governantes permaneçam imóveis por anos e anos enquanto parabenizam a si mesmos pela solidez das medidas propostas.

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