O crescimento na década de 2000

Paul Krugman

20 de janeiro de 2011 | 15h14

Postei uma nota muito rápida sobre como julgar a expansão entre 2000 e 2007, agora que sabemos que houve uma bolha imobiliária e de endividamento insustentável. Minha opinião foi que isso não quer dizer que o crescimento foi de algum modo falsificado; a produção real de bens e serviços de fato aumentou, mesmo que o legado desse crescimento tenha sido uma dívida que criou os problemas macroeconômicos atuais.

Charles Steindel enviou-me um e-mail para lembrar que ele fez uma

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a respeito. Na sua análise, ele questionou o quanto as nossas estimativas de um crescimento real foram afetadas se considerarmos a possibilidade de que: a) o que Wall Street estava fazendo não era realmente produtivo; b) grande parte das construções acabou sendo menos útil do que o esperado (por exemplo, as cidades fantasma na periferia das áreas urbanas).

O que ele conclui é que, mesmo admitindo os pressupostos de que ocorreram operações financeiras fraudulentas e desperdício de investimentos, isso influiu muito pouco nas estimativas de crescimento. No aspecto financeiro, o raciocínio é que nós medimos o crescimento pela produção de bens e serviços finais, e as operações financeiras são um produto intermediário: assim, se você acha que Wall Street estava esbanjando recursos, isso significa que o crescimento atual foi criado mais pelas fábricas, etc. e não pelo Goldman Sachs, como se estimava anteriormente.

Do lado da habitação, o argumento é que a construção de residências, mesmo que tivesse atingido índices muito altos, nunca foi superior a 6% do PIB. Portanto, mesmo que você ache que uma grande parte da construção observada no final do boom imobiliário tinha muito pouca utilidade, ela na verdade contribuiu para uma redução muito pequena do crescimento no decorrer do período todo.

Enquanto isso, Mike Konczal chama a atenção para o novo trabalho do Federal Reserve de San Francisco sobre o papel do endividamento das famílias na crise, reforçando ainda mais o argumento de que a situação financeira apertada das famílias está no cerne do nosso problema. Realmente.

O que isso significa, contudo, não é que a economia não conseguiria e não deveria ser mais produtiva; mas que devemos insistir mais em políticas fiscal e monetária não ortodoxas.

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