O Índice de Fracasso do Fed

Paul Krugman

22 de julho de 2010 | 15h39

Como esperado, as declarações feitas na quarta-feira por Ben Bernanke não demonstraram nenhum sentido de urgência. Pois é, a economia tem apresentado resultados um pouco desapontadores e quem sabe um dia pensemos em fazer algo a respeito…

Na minha opinião, o Fed é otimista demais. Quando Bernanke diz que

A maioria dos participantes da Comissão Federal do Mercado Aberto espera um crescimento no PIB real da ordem de 3,0% a 3,5% em 2010 e de aproximadamente 3,5% a 4,5% em 2011 e 2012.

ele está sendo sincero – mas será que tais previsões já não foram atropeladas pelos fatos? Tivemos um crescimento inferior a 3% no primeiro trimestre e de provavelmente cerca de 2% no segundo; para ultrapassar os 3% teríamos de verificar uma aceleração no crescimento a partir de agora – e todos os indícios apontam o sentido contrário. Para não mencionar o fato de que o estímulo está engatando marcha à ré.

Mas, deixando de lado as previsões, temos de destacar que o Fed está se mostrando incapaz de cumprir sua dupla missão: garantir a estabilidade dos preços e o pleno emprego. Pensei que seria conveniente termos um critério simples para medir o tamanho desse fracasso; vamos chamá-lo de Índice de Fracasso do Fed. Está relacionado à Regra de Taylor, mas, em vez de proporcionar uma lei simples para determinar a taxa de juros do Fed, o índice mede a distância entre os níveis verificados de desemprego e inflação em relação às respectivas metas.

A regra que escolhi toma seus coeficientes da versão de Rudebusch da Regra de Taylor: 1,3 vez o desvio do desemprego em relação ao patamar de 5% + 2 vezes o desvio do núcleo da inflação (IPC) em relação ao patamar de 2%. Assim, temos 1,3 X ABS (desemprego – 5) + 2 X ABS (núcleo da inflação – 2). O leitor pode elaborar sua própria versão; não acho que isso mude muito o resultado.

Eis o que temos:

Fedfail.png

Este pequeno exercício nos mostra que a situação está se deteriorando, e não melhorando: o desemprego recuou um pouco, mas estamos nos aproximando cada vez mais da deflação.

Bernanke parece responder a tudo isso dizendo que o Fed está fazendo muito. Mas isso, obviamente, não é o bastante – esperamos do banco central que produza resultados, e não que seja parabenizado pelo seu grande esforço e dedicação. E tais resultados não estão aparecendo.

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