O poder do senso comum

Paul Krugman

27 de setembro de 2010 | 16h38

Duncan Black, também conhecido como Atrios, ficou perturbado com a citação de Bill Clinton que incluí na coluna de hoje, ao ponto de verificar se Clinton realmente disse aquilo – apenas para descobrir que os comentários são verdadeiros, e que as palavras empregadas pelo ex-presidente foram ainda mais pesadas. Mas me parece que o que Atrios deixou escapar – algo raro no caso dele – foi a dimensão da força do senso comum.

Quando todos – ‘tout le monde’, como costumava dizer Tom Wolfe, significando um conjunto relativamente pequeno de pessoas, mas composto por todas as pessoas realmente importantes – dizem uma coisa, é preciso muito esforço e coragem para se afastar e dizer, ‘espere um minuto, como sabemos que isso é verdade?’

A tarefa é especialmente difícil para aqueles que passam a maior parte do tempo na companhia de Pessoas Muito Sérias; sei que enfrentei minhas próprias dificuldades para apontar as baboseiras ditas por pessoas que conheço, mesmo quando os absurdos eram óbvios.

O efeito das PMS é um dos motivos pelos quais os blogueiros inteligentes, tanto os que escrevem sobre economia quanto os que abordam a política, têm sido uma orientação muito melhor em relação ao que está ocorrendo nos Estados Unidos do que os repórteres famosos: sua distância, sua falta de insights pessoais e próximos, mostra-se, na verdade, uma vantagem.

E, assim,Clinton, apesar do que eu acredito ser uma preocupação genuína com o sofrimento dos menos afortunados, vê-se papagaiando os argumentos do desemprego estrutural, provavelmente descobrindo somente ao abrir o jornal de hoje que essa é uma fantasia criada para justificar a inação.

Eis o que precisamos saber: pessoas importantes não gozam de um monopólio especial sobre a sabedoria; e em tempos como os atuais, quando as regras econômicas normais não se aplicam, essas pessoas fazem comentários que muitas vezes se mostram grandes absurdos, pois o poder do senso comum as impede de fazer uma interpretação racional a respeito de uma situação profundamente incomum.

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