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Thiago de Aragão: China traça 6 estratégias para pós-covid que afetam EUA e Brasil

Obrigado OWS

Paul Krugman

21 de outubro de 2011 | 22h19

Ontem visitei Zuccotti Park. Michael Moore fez um breve discurso, transmitido boca a boca. Ouço que a direita afirma que o movimento Ocupar Wall Street é anti semita; alguém esqueceu de contar à excelente banda Klemzer.

Em geral, o que me impressionou foi que a manifestação em si não tem nada de ameaçador: é uma multidão de modestas dimensões, de boa paz, em geral composta de jovens (era uma tarde fria com bastante vento), mas com muitas pessoas de meia idade também, nem todos desalinhados. Não era bem o tipo de coisa que se consideraria capaz de abalar o grande debate nacional. E no entanto abalou – o que só pode significar uma coisa: o imperador está nu, e bastou uma única voz honesta para denunciar isto.

Quanto a como o imperador ficou nu, basta ler o artigo de Ari Berman sobre os que defendem a austeridade, e como eles dominam Washington. O artigo diz que

existe um paradoxo fundamental na política americana dos últimos dois anos: Como foi possível que, numa profunda crise de desemprego – quando é dolorosamente óbvio que não estão sendo criados empregos em número suficiente e que o público quer principalmente que os políticos tratem de criá-los – o déficit se destacasse como a questão mais premente deste país? E por que, quando a evidência global indica claramente que as medidas de austeridade elevarão o desemprego e comprometerão o crescimento, em vez de acelerá-lo, os defensores da austeridade mantêm esta preeminência hoje?

É possível encontrar uma explicação no predomínio de uma classe influente e agressiva que se diz defensora da austeridade – uma coalizão supostamente centrista de políticos, estudiosos e especialistas, considerados incontestavelmente os sábios guardiões da política econômica americana.

É realmente notável como a reputação de sabedoria persiste apesar de um malogro após o outro.

Abraçamos a “austeridade expansionista”, que foi ainda pior do que Berman diz – não foram apenas grupos de especialistas como a CBPP (Center on Budget and Policy Priorities) que abriram buracos na doutrina, foi o Serviço de Pesquisa do Congresso e o FMI, isso mesmo, o FMI.

Tivemos o prêmio de responsabilidade fiscal concedido ao palhaço do Paul Ryan – e em geral, o abraço de Ryan quando ficou óbvio, em 2010, que ele não era nem sério nem honesto.

E, evidentemente, tivemos a impossibilidade total dos dados econômicos de terem o desempenho esperado – regimes de austeridade levam universalmente a um elevado desemprego, a juros persistentemente baixos apesar da crise da dívida supostamente iminente.

Não acho que Berman explique plenamente o predomínio dos defensores da austeridade, mas fez um bom trabalho documentando-o. E aqui está a coisa: este predomínio tem sido tão total que outras abordagens sequer foram ouvidas. Portanto, fazer alguma coisa, qualquer coisa, que significasse um importante avanço nesta retórica toda, teria uma repercussão impressionante.

Obrigado OWS.

Tradução por Anna Capovilla

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