São os custos da saúde, estúpido

Paul Krugman

04 de dezembro de 2012 | 16h05

Aqui está uma outra reflexão sobre a questão orçamentária. Na minha coluna desta segunda-feira, tentei sublinhar um ponto que está estranhamente ausente do debate público, pelo menos entre as “Pessoas Muito Sérias”: a solução predileta dessas pessoas para o déficit do orçamento a longo prazo, que é elevar a idade mínima para se ter direito ao Medicare, na verdade produzirá uma economia insignificante.

A questão é que, se você pretende controlar os custos do Medicare, não pode fazer isso expulsando um pequeno número de aposentados relativamente jovens do programa; para controlar custos é preciso, e você sabe, controlar os custos.

A verdade é que sabemos muito bem como fazer isso – afinal, todo país avançado tem custos muito menores com a saúde do que nós, e mesmo dentro dos Estados Unidos, o VHA e até o Medicaid controlam muito melhor os custos do que o Medicare, e as empresas de seguro privado ainda mais.

O importante é que haja um sistema de seguro saúde que diga não ao pagamento de preços com ágio de remédios que não são tão bons assim e não ao pagamento por procedimentos médicos que trazem pouco ou nenhum benefício.

Mas mesmo quando os republicanos demandam uma “reforma das dotações”, eles estão decididamente contra qualquer coisa desse tipo. Um acordo envolvendo o preço dos medicamentos? Horror! Um conselho consultivo independente? Um painel da morte!

Os republicanos se recusam até a considerar a adoção de sistemas que funcionaram em todo o mundo; a única solução que aprovariam é aquela que nunca funcionou em lugar nenhum, ou seja, transformar o Medicare num sistema de cupons mal subvencionados.

Portanto, não preste atenção quando dizem como detestam os déficits. Se fossem sérios com relação a este problema se mostrariam dispostos a analisar políticas que podem realmente funcionar; em vez disso, eles se aferram às fantasias do livre mercado que, repetidamente, fracassaram na prática.

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