Títulos japoneses

Paul Krugman

18 de agosto de 2010 | 16h15

Houve um momento no fim do ano passado em que a administração Obama poderia ter injetado uma ajuda muito mais significativa na economia, com uma chance razoável de conseguir algum resultado com isso. Mas a administração vacilou – em grande parte, acredito, por acreditar nas advertências de que os invisíveis vigilantes de bônus estavam prestes a atacar. E houve muita falação na época sobre o Japão, que estava supostamente perdendo a confiança dos investidores. Como sempre, pura especulação foi noticiada como fato:

Para investidores nervosos, o mar de dívida crescente do Japão é motivo para pesadelos: a possibilidade de uma eventual crise da dívida soberana, em que o país seria incapaz de pagar os detentores de seus títulos, ou um colapso desestabilizador do valor do iene.

A única evidência oferecida foi um elevação súbita das taxas dos bônus de 10 anos para a apavorante cifra, acreditem, de 1,4%. Eis o que realmente ocorreu com esses rendimentos de lá para cá:

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Sim, a dívida japonesa de longo prazo está pagando hoje menos de 1%. Oh, e o spread dos CDS (Credit Debt Swap) é mais ou menos comparável ao de outros países do G-7, exceto a Itália.

Estamos diante de uma catástrofe em câmera lenta porque os formuladores de políticas públicas estavam com medo das coisas erradas.

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