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Brasil está em recessão desde o 2º trimestre de 2014, diz comitê de ciclos da FGV

O resultado negativo encerra um período de 20 trimestres consecutivos de crescimento – do segundo trimestre de 2009 ao primeiro trimestre de 2014

Luiz Guilherme Gerbelli

04 de agosto de 2015 | 14h31

Com Adriana Fernandes e Ricardo Brito

Atualizada às 10h15 desta quarta-feira, 5

O Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace) divulgou na terça-feira, 4, que a economia brasileira está em recessão desde o segundo trimestre do ano passado. O resultado negativo encerra um período de 20 trimestres consecutivos de crescimento – do segundo trimestre de 2009 ao primeiro trimestre de 2014. No período, o crescimento trimestral médio foi de 4,2%, em termos anualizados.

“No período que vai do início da recessão ora datada pelo Codace até o primeiro trimestre de 2015, observou-se uma taxa média de contração de 1,1% em termos anualizados, algo similar ao observado nas recessões de 1998-1999 e de 2001, taxa esta significativamente menor que a observada na curta e intensa recessão de 2008-9 (-11,2% ao ano)”, informou o comitê.

O período mais longo de crescimento da economia brasileira foi observado entre o terceiro trimestre de 2003 e o terceiro trimestre de 2008. Foram 21 trimestres de alta, com um crescimento trimestral médio de 5,1%.

A recessão mais longa da economia brasileira foi apurada do terceiro trimestre de 1989 ao primeiro trimestre de 1992.

O Codace foi criado pela Fundação Getúlio Vargas em 2008 e é coordenado por Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central. Também fazem parte do comitê Edmar Bacha, diretor do Instituto de Estudos de Política Econômica da Casa das Garças; João Victor Issler, professor da Fundação Getúlio Vargas; Marcelle Chauvet, professora da Universidade da Califórnia; Marco Bonomo, professor do Insper; Paulo Picchetti, professor do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da FGV, e Regis Bonelli, pesquisador do Ibre.

Pressão Política. A sinalização do quadro recessivo deve alimentar as pressões no Congresso para a aprovação de uma agenda do crescimento que possa ajudar na recuperação das contas públicas. E revela o tamanho do ciclo recessivo em relação a outras fases da economia. O comitê diz que a duração da recessão será de “pelo menos” quatro trimestres e deverá durar mais do que a média dos últimos cinco períodos de retração.

O assunto vem sendo debatido pela equipe do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tem procurado identificar o que é cíclico e o que é estrutural no quadro econômico. O ministro tem dito que é um equívoco atribuir ao ajuste fiscal a culpa pela recessão. Os dados divulgados pelo comitê reforçaram essa avaliação. Levy almoçou ontem com o presidente do Congresso, senador Renan Calheiros (PMDB-AL), para fechar uma pauta de reanimação da economia.

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