As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Conheça os projetos de cinco novos aeroportos

marinagazzoni

24 de fevereiro de 2014 | 05h05

Existem atualmente cinco projetos de novos aeroportos privados em análise na Secretaria de Aviação Civil (SAC). Empresas como JHSF, JMalucelli e construtoras regionais querem expandir seus negócios para o ramo aeroportuário e lucrar com a exploração de tarifas e com incorporação imobiliária do entorno.

O governo federal deu carta branca para os novos projetos em dezembro de 2012, quando publicou um decreto que libera a cobrança de tarifas em aeroportos públicos pela iniciativa privada. No momento, o benefício só vale para projetos de aviação executiva e não permite a construção de novos aeroportos privados comerciais, ou seja, que recebem voos de companhias aéreas.

Veja abaixo um resumo dos cinco projetos de novos aeroportos em análise na SAC:

1 – Aerovale, em Caçapava (SP)

Localizado em um terreno de 2,25 milhões de metros quadrados, o aeroporto faz parte de um projeto que inclui 117 hangares e 188 lotes para condomínios industriais e comerciais. Além disso, a construtora Penido, dona do projeto, também quer criar hotel, shopping, centro de convenções e loteamento residencial no entorno do aeroporto.

O projeto já recebeu R$ 250 milhões de investimentos da construtora Penido. A receita com a venda de lotes industriais e aeroportuários é prevista em R$ 1 bilhão. Segundo a empresa, 30% das áreas já estão vendidas.

O Aerovale já está em obras e recebeu na semana passada a autorização da SAC. A previsão é inaugurar a pista, que terá 1.550 metros, no dia 30 de maio, a tempo de receber jatos executivos que trouxerem turistas para a Copa.

O dono do Aerovale também comprou dois helicópteros para fazer voos de Caçapava até São Paulo. “Estimamos que exista demanda para dez voos por dia”, disse Rogério Penido, dono da construtora Penido. O trajeto leva cerca de 20 minutos de helicóptero.

2 – Naesp/Catarina, em São Roque (SP)

O Novo Aeroporto Executivo de São Paulo (Naesp), também conhecido como aeroporto Catarina, é um projeto da incorporadora JHSF. A empresa já tem experiência em complexos multiuso, que reúnem na mesma área torres comerciais, residenciais, shopping e hotéis, por exemplo. O aeroporto é uma inovação nesses empreendimentos.

O complexo Catarina ocupa uma área total de 7 milhões de metros quadrados e 4,2 milhões deles serão dedicados ao aeroporto. A empresa adquiriu o terreno em 2007 da Suzano, de papel e celulose, e não previa um aeroporto no projeto inicial. “Soubemos que a Infraero estudou essa área como opção para fazer um terceiro aeroporto para a região de São Paulo e decidimos colocar no projeto um aeroporto para aviação executiva”, disse Rogério Lacerda, diretor de incorporação da JHSF. “É uma inovação no conceito de complexo multiuso e está em linha com a estratégia da empresa de aumentar sua receita com renda (locação)”, completou.

A JHSF já recebeu autorização da SAC, da Prefeitura e do governo estadual para iniciar as obras, o que deve ocorrer nas próximas semanas, segundo a empresa. A previsão é iniciar a operação do aeroporto no primeiro semestre de 2015.

Só o aeroporto deve receber R$ 500 milhões de investimentos e o projeto total deve movimentar R$ 6 bilhões, segundo estimativas de mercado. O aeroporto terá duas pistas (de 2.470 metros e 2.ooo metros) e deve receber 80 mil pousos e decolagens no primeiro ano de operação, segundo cálculos da empresa. O empreendimento também terá um outlet, 10 torres comerciais, lotes residenciais, hotel e centro de convenções.

3- Aeródromo Privado Rodoanel, em São Paulo (SP)

Projeto prevê a construção de um novo aeroporto para aviação executiva em São Paulo, no bairro Parelheiros, na zona sul. O empreendimento é da Harpia Logística, empresa criada com finalidade específica para administrar aeroportos, pelos empresários André Skaf, filho do presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e Fernando Augusto Botelho, herdeiro da construtora Camargo Corrêa.

O aeroporto recebeu a autorização da SAC no ano passado. No entanto, a Prefeitura negou a certidão de uso do solo para o empreendimento. A empresa tenta reverter a decisão na Justiça.

O projeto prevê investimentos de R$ 300 milhões em infraestrutura aeroportuária e um total de R$ 1 bilhão, valor que considera a incorporação imobiliária dos hangares e áreas adjacentes.

4 – Aeroporto JMalucelli, em Balsa Nova (PR)

Para aproveitar uma área de 4 milhões de metros quadrados que detém há 30 anos, o grupo JMalucelli, um dos maiores do Paraná, desenvolveu um plano de construção de um aeroporto na cidade de Balsa Nova, a 55 km de Curitiba. “Hoje é reflorestamento, mas já temos um plano de corte aprovado. Identificamos que há potencial para um aeroporto na região”, diz o fundador do grupo Joel Malucelli.

A empresa já pediu autorização para a SAC para atender a aviação executiva, mas espera mudanças na legislação para poder explorar o local também com transporte de carga. O plano prevê investimentos de R$ 200 milhões apenas na primeira fase do projeto e a construção de uma pista de 4.200 metros, capaz de receber aviões cargueiros.

O projeto está em análise na SAC e ainda depende das demais autorizações municipais e estaduais.

5 – Coroa do Avião, em Igarassu (PE)
O aeroporto já tem autorização da Anac e de órgãos municipais e estaduais, mas ainda aguarda o aval da SAC. Sem ele, os donos não podem cobrar tarifas aeroportuárias. Projeto das construtoras Casa Grande Engenharia e Romarco, o aeroporto recebeu R$ 80 milhões em investimentos.

As empresas querem atender o litoral norte do Estado e servir de alternativa ao aeroporto de Recife para os jatos executivos. A cidade é vizinha à Goiana, cidade que receberá a nova fábrica da Fiat. A pista é de 1.300 metros.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.