Korean Air pagará multa de US$ 1,3 milhão por acobertar a ‘fúria das macadâmias’
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Korean Air pagará multa de US$ 1,3 milhão por acobertar a ‘fúria das macadâmias’

Fiasco da diretora da empresa motivado por salgadinhos de bordo deixou em evidência o comportamento tirânico de uma das maiores famílias de empresários do país

Economia & Negócios

16 Dezembro 2014 | 13h47

Modelo de avião da Korean Air na sede da empresa, em Seul: punição exemplar (Foto: AP)

Modelo de avião da Korean Air na sede da empresa, em Seul: punição exemplar (Foto: AP)

ASSOCIATED PRESS

SEUL – O ministério dos transportes da Coreia do Sul anunciou que a Korean Air Lines sofrerá sanções por pressionar seus funcionários a mentirem durante a investigação do governo do episódio envolvendo o fiasco dos salgadinhos de bordo que deixou em evidência o comportamento tirânico de uma das maiores famílias de empresários do país.

O ministério disse nesta terça feira,16, que também vai avaliar se a cultura corporativa da empresa aérea  representa riscos de segurança depois que Cho Huyn-ah, filha do presidente da Korean Air, ordenou que o capitão de um voo retornasse ao portão de embarque num incidente ocorrido este mês.

Cho, que era diretora de serviço de bordo da Korean Air, ordenou que um atendente de voo desembarcasse de um avião no dia 5 de dezembro por ter servido a ela uma porção de macadâmias na embalagem, e não num prato, no que consistiria para ela uma violação do protocolo de serviço da primeira classe.

O diretor do ministério dos transportes, Lee Gwang-hee, disse que a Korean Air pode ser punida com 21 dias de suspensão de seus voos ou uma multa de US$ 1,3 milhão por ter violado as leis da aviação. O castigo será determinado separadamente por uma comissão que pode decidir aumentá-la ou reduzi-la.

Os membros da família Cho são donos de 10% da Korean Air, que faz parte do conglomerado da família em Hanjin.

Park Chang-jin, o tripulante obrigado a desembarcar do avião, disse à emissora de TV sul-coreana KBS na sexta feira que Cho tinha constrangido e insultado tripulantes. Um passageiro da primeira classe disse à agência de notícias Yonhap que Cho gritou com os atendentes ajoelhados diante dela, empurrou um atendente pelos ombros e arremessou um objeto contra a parede da aeronave.

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Cho Hyun-ah: pedido público de desculpas por chilique no avião (Foto: AP)

Cho Hyun-ah: pedido público de desculpas por chilique no avião (Foto: AP)

O incidente ficou conhecido como “fúria das macadâmias” e ganhou as manchetes em todo o mundo, enfurecendo o público sul-coreano e levando ao afastamento de Cho de todos os seus cargos executivos na empresa aérea.

A ex-diretora de 40 anos e o pai pediram desculpas na semana passada, mas um novo escândalo emergiu em torno das tentativas da Korean Air de frustrar os investigadores do governo e das reportagens revelando que a família Cho tratava os funcionários da empresa como servos particulares.

“Como se o incidente não fosse suficientemente chocante, a resposta da Korean Air foi abominável”, publicou o Korean Herald em seu editorial.

“Em tentativas que lembram os servos feudais tentando proteger a filha do senhor, os funcionários da Korean Air se uniram para resgatar a filha do diretor executivo da empresa, Cho Yang-ho.”

Park, o tripulante expulso, foi visitado por representantes da Korean Air que o pressionaram a relatar uma versão amenizada dos fatos para os investigadores.

A empresa aérea será castigada porque Cho e Park mentiram durante a investigação e porque o capitão foi negligente com seus deveres, de acordo com o ministério.

Entretanto, o capitão não será castigado porque não tinha poderes sobre uma executiva da família que controla a empresa, disse Lee, o diretor do ministério dos transportes.

O pronunciamento do ministério indicou que outros funcionários da empresa aérea também foram pressionados a mentir aos investigadores. Mas esses não foram identificados.

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Vendas de macadâmia dispararam após escândalo (Foto : AP)

Vendas de macadâmia dispararam após escândalo (Foto : AP)

A investigação considerou que Cho usou linguagem abusiva com os atendentes, mas não foi capaz de determinar se ela usou também de violência. Uma queixa contra Cho será prestada pelos promotores ainda hoje.

Anteriormente os promotores tinham iniciado uma investigação separada para o caso da Korean Air depois de receberem um queixa de um grupo cívico. Os promotores convocaram Cho para depoimento na quarta feira, de acordo com aYonhap.

O incidente também sublinhou os riscos de se investir em empresas controladas por famílias para as quais a meta principal é atender aos interesses da família, e não dos acionistas nem funcionários. As ações da Korean Air fecharam em queda de 0,3% depois de uma desvalorização de quase 6% em Seul depois que o governo anunciou seu plano para aplicar sanções à empresa aérea.

Os promotores já chamaram várias testemunhas para prestarem depoimento e até fizeram incursões em escritórios da Korean Air em busca de evidênciaS, um reflexo da grande importância que está sendo dada na Coréia do Sul ao incidente das macadâmias. Por sua vez, a própria Cho Hyun-ah renunciou ao cargo de vice-presidente na semana passada e pediu desculpas pelo corrido em várias ocasiões.

O governo também atacou hoje o comandante da aeronave, considerado parcialmente culpado pela suspensão da decolagem como mais alta autoridade da aeronave, e anunciou as próximas medidas disciplinares a serem aplicadas, como a suspensão de voos ou uma multa – embora essas não sejam voltadas contra ele, e sim para a companhia aérea.

O caso das macadâmias continua a gerar muita controvérsia na Coreia do Sul, onde foi aberto o debate a respeito do grande poder das famílias donas dos “chaebol”, ou grandes conglomerados, como a Korean Air, Samsung ou Hyundai, que ostentam substancial influência política e econômica. Com agência EFE /Tradução: Augusto Calil